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ciência da persuasão


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A engenheira Letícia Ribeiro, 27 anos, decidiu limitar o tempo de uso das redes sociais com a ajuda de uma ferramenta. Só pode usá-las por duas horas ao dia. Aos fins de semana, o limite aumenta para três horas. "Chego em casa, deito na cama e, quando vou ver, já estou há horas no Instagram", conta ela, que estava deixando de fazer outras atividades, como ir à academia. Ribeiro costuma estender um pouco o limite (existe uma função "soneca"), mas diz que hoje tem mais controle sobre o uso do aparelho. As redes se valem da ciência da persuasão para que o usuário fique o maior tempo possível nelas, explica o psicólogo Cristiano Nabuco. A advogada Ana Luisa Guerra, 31 anos, adotou uma tática diferente: apaga o Instagram de tempos em tempos no celular e faz promessa para não usar. "Se baixar, terei que doar dinheiro para uma instituição de caridade", diz. Para ela, as redes geram um efeito duplo. "Suprem a ansiedade, a carência e a solidão, mas também geram tudo isso", afirma. Ansiedade, depressão e fobia social são algumas das consequências do uso excessivo de tecnologias. "Há milhares de anos, o homo sapiens vivia em grupos de poucas pessoas, no qual havia um macho alfa", diz Nabuco. "Hoje, você vê 500 machos e fêmeas alfa na rede sociais, todos fazendo algo incrível." Com isso, explica, o cérebro é provocado a corresponder à demanda. E vem a ansiedade. O resultado são postagens e atualizações em excesso. Segundo a OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo. Deixar de fazer atividades da rotina, usar o celular em todos os lugares, ficar irritado quando não há sinal, noites mal dormidas, distração e ansiedade ao não postar são indicativos de que há exagero. Em alguns casos, vício. Mas, em outros, é apenas falta de educação e etiqueta digital, diz King, autora de um livro sobre o assunto. Neste ano, a Google apresentou uma iniciativa curiosa para promover o "detox" digital: o Paper Phone, espécie de agenda de papel que tem informações como contatos, jogos e previsão do tempo impressas. Nada de telefone. "Detox não é se livrar da tecnologia, mas usá-la de forma sensata. Há um portal de possibilidades nas mãos", diz Nabuco. "É preciso fazer com que ela me sirva, e não eu a ela."

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