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Netanyahu deve deixar o poder


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Jerusalém - A oposição em Israel chegou a um acordo nesta quarta-feira (2), para formar uma coalizão que abre caminho para a saída de Binyamin Netanyahu do poder depois de 12 anos de governo. O primeiro-ministro, conhecido como "O Mágico" por sua habilidade política em manter-se no cargo, deve ser substituído por uma que abriga desde a ultradireita até seculares, esquerdistas e árabes.

O novo governo é liderado pelo centrista Yair Lapid e o ultranacionalista Naftali Bennett. O anúncio da coalizão foi feito por Lapid por volta das 17h30, depois de os principais partidos do bloco terem assinado o termo de compromisso. A negociação começou no fim de semana e deve prever o rodízio no cargo de primeiro-ministro entre Bennett e Lapid. "Eu consegui", escreveu Lapid no Twitter.

O próximo passo é a ratificação do acordo na Knesset, o Parlamento isralense, votação que deve ocorrer nos próximos dias. O caráter heterogêneo do pacto anti-Netanyahu divide analistas. Enquanto alguns acreditam que ele contempla a complexidade da sociedade israelense, outros creem que ele deve durar pouco, dada as prováveis discordâncias entre seus membros.

O principal responsável por pender à balança contra Netanyahu é Naftali Bennett. Ex-aliado do premiê e líder do partido ultranacionalista Yamina, ele já defendeu a anexação da Cisjordânia e no domingo aceitou a proposta de Lapid para um acordo de divisão de poder. Bennett deve governar o país até 2023 e o aliado dali até 2025. Eles dividem a coalizão com Mansour Abbas, do partido Raam, que representa cidadãos árabes de Israel.

Os partidos de oposição precisaram deixar de lado divisões ideológicas e superar pretensões ministeriais, mas essa alternância não é incomum na política israelense. Entre 1984 e 1988, o trabalhista Shimon Peres governou a primeira metade do mandato, e Yitzhak Shamir, do Likud, concluiu o governo.

A última vez que isso ocorreu foi em maio de 2020, para resolver impasse causado por três eleições inconclusivas - ninguém obteve maioria no Parlamento nas votações de abril e de setembro de 2019, e de março de 2020. Foi quando Netanyahu ofereceu o rodízio ao líder da oposição, Benny Gantz, que aceitou.

A oposição afirma que Netanyahu está apegado ao poder por razões pessoais. Indiciado por corrupção, ele estaria buscando imunidade processual. O premiê nega.

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