Esportes

Sem casa

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Após 25 anos, a Academia Municipal de Artes Marciais "Francisco Takao Kajino", localizada na quadra 11 da rua Benedito Ribeiro dos Santos, no Jardim Carolina, será fechada. As modalidades que funcionam no local, o kung fu, o judô e o caratê, terão até 30 de julho para deixar o imóvel. Isso porque o espaço, que era alugado por R$ 2 mil, não teve o contrato renovado em razão de divergência valores, que seriam majorados. A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) e o proprietário do local tentaram negociar ao longo de cinco meses, mas não houve consenso.

A partir de 30 de julho, apenas o kung fu (Garra de Tigre) que funcionava por lá terá destino certo, mas ainda assim temporário. Após parceria com a Semel, a Associação Desportiva da Polícia Militar (ADPM) acolherá, por três meses, o projeto, que hoje atende cerca de 80 crianças e adolescentes.

O caratê, por sua vez, deve permanecer sem sede até que a prefeitura alugue um novo imóvel naquela região. Como a modalidade passou por reestruturação recente, após exoneração e substituição de senseis, não houve abertura de turmas e, segundo a Semel, a situação deve perdurar até que o contrato seja fechado com uma nova sede para abrigar a Academia Municipal no bairro.

EM BUSCA

Já o judô, que tem cerca de 120 alunos inscritos entre crianças e adultos, mas tem atuado no período da pandemia com aulas presenciais apenas para os jovens e adultos, ainda estuda o que fará. Isso porque o espaço oferecido pela prefeitura para abrigar a modalidade é no Centro Social Urbano (CSU), que fica no Jardim Bela Vista, portanto, a quilômetros de distância do Jardim Carolina e Núcleo Geisel, regiões de residência da maior parte dos atendidos pelo projeto.

O judoca Artemio Caetano Filho, voluntário da modalidade no município, conta que tem procurado alternativas melhores junto com a Semel e trabalhado para tentar parcerias com a iniciativa privada para locar um espaço temporário que abrigue os treinos, que voltariam gradativamente a partir da próxima semana.

"Um salão aberto com uns 100m quadrados e com vestiários ou, pelo menos, dois banheiros, além de uma recepção e área para administrativo, seria suficiente", comenta Artemio.

NA TORCIDA

Inaugurada em 6 de maio de 1996, na gestão do ex-prefeito Tidei de Lima, a academia treinou milhares de crianças, jovens e adultos em seus projetos sociais. E formou inúmeros professores, revelando grandes atletas, que levaram o nome da cidade e representaram o Brasil mundo a fora.

Richard Leutz, do kung fu, que foi um dos idealizadores do projeto da academia, lamenta a situação. "Torço para que seja apenas mais uma fase de transição e que o município consiga outro espaço logo para evitarmos perdas. Nossos alunos vão a pé para o treino e não têm a mínima condição de se deslocarem por grandes distâncias", considera Leutz.

SEMEL

Titular da Semel, Flávio Oliveira também lamentou a descontinuidade da entidade no endereço em questão. "A ideia é alugar outro espaço o mais rápido possível. A hora que encontrarmos, ele precisará de vistoria e passará por um processo que envolve documentações, por isso, pedimos um prazo de três meses para resolver tudo", explica o secretário. "Lamento tirar nossos alunos da rotina, mas não teve jeito", completa.

O contrato com o imóvel atual venceu em fevereiro, mas apenas nos últimos 15 dias houve a decisão de rompimento. O proprietário do imóvel, Elias Cardoso, diz que pesou para a decisão um atraso para a renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros do local e o fato de a majoração do valor, para cerca de R$ 2,5 mil, não ter sido acordada.

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