Esportes

Sonho de pódio


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O sonho da medalha olímpica fez Rafael Buzacarini deixar de ser Bolo Cru, o apelido que recebeu ao chegar a São Caetano do Sul, em 2010. Loiro, branco e pesando quase 120 quilos, ele parecia, segundo os amigos, uma massa antes de ir ao forno. "Eu estou na melhor forma e na melhor fase da minha vida. Estou sacrificando tudo por essa medalha. É tudo para mim", afirma o judoca, natural de Barra Bonita, que luta na categoria até 100 kg.

Entre a noite desta terça-quarta (28) e o início da madrugada de quinta (29), no horário de Brasília, ele luta pelo pódio. A estreia em Tóquio é contra o belga Toma Nikiforov. Buzacarini levou a melhor na única luta que houve entre eles no Grand Prix de Antalya, na Turquia, em 2019. "Sinto confiança e sei como chegar nisso novamente. Mas, agora é Olimpíada, uma competição totalmente diferente. Tenho que manter a atenção e ter uma boa estratégia para avançar", disse. A programação do judô começa às 23h (de Brasília) e a luta do brasileiro é a 11ª da lista.

O pensamento de Buzacarini é que deve haver uma explicação, mesmo que não seja racional, para sua trajetória e o destino vai levá-lo ao pódio. Ele praticou várias lutas quando era criança. Fez capoeira, jiu-jítsu e caratê. Poderia ter seguido em qualquer desses esportes. "Não sei explicar a minha escolha. Algo me empurrou para o judô. Acho que tinha de ser", completa.

Mas o fatalismo não bastaria para levá-lo a Tóquio, ele sabe. Foi sua mãe Irani quem percebeu que os torneios na região de Barra Bonita eram muito pouco para o filho. Se ele quisesse ser alguém na modalidade, teria de ir para a Capital. Ela quase o empurrou para ir fazer o teste em São Caetano, onde depois receberia o apelido de Bolo Cru.

No dia da peneira, Buzacarini sofreu uma lesão no joelho e teve de operá-lo. Entrar na nova equipe se tornou algo fora de cogitação. Outras contusões que o assustaram já haviam ocorrido, como cair de cabeça e desmaiar. A cirurgia no joelho aos 18 anos foi a pior. Quando se recuperou, tentou de novo e entrou no time da Prefeitura de São Caetano.

Tóquio não é a primeira experiência olímpica do judoca. Ele também se classificou para os Jogos do Rio, em 2016. Ganhou na primeira fase do uruguaio Pablo Aprahamian antes de perder para o japonês Ryunosuke Haga, que era o campeão mundial e seria medalhista de bronze.

Ele nega já ter pensado em como será a competição no Nippon Budokan. É um dos erros que cometeu em 2016 e não quer repetir: pensar demais nos possíveis adversários quando o mais importante é seu próprio treino.

MAYRA AGUIAR

Recuperada de cirurgia no joelho esquerdo e de volta ao esporte após ficar 16 meses sem lutar, Mayra Aguiar vai tentar sua primeira final olímpica. Na madrugada desta quarta, a judoca entra direto nas oitavas de final na categoria até 78 kg. Isso significa que sua caminhada até a medalha de ouro teria quatro lutas e não cinco, como ocorre normalmente. Ela pulou a necessidade de disputar a primeira fase por causa de sua colocação no ranking. A adversária ainda não está definida.

Será a quarta edição olímpica da sua carreira. Bronze em Londres-2012 e Rio-2016, Mayra pode se tornar agora a maior medalhista da história do judô brasileiro. Seria mais do que poderia esperar no ano passado, quando lesão no joelho colocou em dúvida sua participação em Tóquio. Para poder treinar, ela teve de deixar Porto Alegre para ir ao Rio de Janeiro, ficar concentrada no complexo Maria Lenk e fugir das restrições causadas pela pandemia da Covid-19.

 

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