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Braçadas de ouro


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Ana Marcela Cunha conquistou a medalha de ouro na maratona aquática nos Jogos de Tóquio-2020. Com seus cabelos verde e amarelo, fez uma ótima prova e deixou para trás suas adversárias na reta final. Ela completou a distância de 10km em 1h59min30s8, pouco a frente da a holandesa Sharon van Rouwendall (1h59min31s7). O bronze foi para a australiana Kareena Lee, com 1h59min32s5.

A brasileira de 29 anos chegou ao pódio olímpico pela primeira vez. Sua estreia foi nos Jogos de Pequim, em 2008, quando tinha apenas 16 anos e chegou na quinta colocação. Quatro anos depois se frustrou por não conseguir a vaga para as Olimpíadas de Londres. No Rio, em 2016, ficou em décimo na prova que teve a brasileira Poliana Okimoto sendo bronze.

"Finalmente eu consegui! Por mais nova que eu fui em 2008, esse é meu quarto ciclo olímpico. Vindo de uma frustração muito grande com uma não classificação, uma frustração no Rio. Acreditem nos seus sonhos", disse a nadadora, feliz da vida com o ouro. "Sonhava muito com uma medalha olímpica, representa muito ser campeã aqui", continuou a brasileira.

A medalha olímpica de Ana Marcela se junta a outros pódios de competições importantes. Só em Campeonatos Mundiais a nadadora tem 11 pódios, sendo os mais relevantes o tetra nos 25km, o ouro nos 5km, em 2019, e uma prata e dois bronzes na distância de 10km. Neste ano, em março, ela venceu a etapa de Doha, no Catar, da Série Mundial.

Mesmo com a prova marcada para 6h30 da manhã no horário do Japão, para fugir do calor, a temperatura da água no Parque Marinho de Odaiba passava dos 29ºC. Então, numa distância de 10 quilômetros dentro de um percurso de sete voltas, era inevitável sentir dificuldades a cada braçada.

Ela começou no grupo da frente logo após a largada e sempre esteve entre as primeiras. Chegou a liderar por um bom tempo, o que implica fazer mais esforço, mas também revezou com outras atletas até para poder pegar o "rastro" de quem estava na frente, o que faz com que se canse menos na prova.

Com pouco mais de sete quilômetros de disputa, a nadadora Ashley Twichell, dos Estados Unidos, estava dando 46 braçadas por minutos enquanto que a brasileira fazia apenas 36, o que mostrava que ela estava conseguindo se manter bem veloz fazendo menos esforço que a adversária.

Ela entrou para o último 1,39km de prova, na última volta, na segunda posição, 2,6 segundos atrás da alemã Leonie Beck. E foi nesse momento que começou a aumentar o ritmo das braçadas e o grupo foi se dividindo. A partir daí, Ana Marcela liderou até o fim e ganhou o ouro.

"Eu tinha dito para o Fernando (Possenti, treinador) que para ganhar de mim iam ter de nadar muito. Eu sabia o quanto eu estava preparada, melhor do que Kazan, que foi um Mundial em que deitei e rolei", explicou Ana Marcela, que traçou uma ótima estratégia e finalizou a prova com 1h59min30s8, a menos de um segundo da segunda colocada da Holanda, que havia sido campeã olímpica nos Jogos do Rio, em 2016.

A medalha de ouro de Ana Marcela também fez o Brasil se aproximar da meta de 20 pódios que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) idealizou para esta edição, superando em número total o que ocorreu nos Jogos do Rio, em 2016, e também colocou a delegação feminina do País ainda mais em evidência.

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