Brasília - Em audiência pública na Câmara dos Deputados, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, negou que o Brasil tenha vivido uma ditadura militar entre 1964 e 1985. O general adotou tom cauteloso diante da escalada de tensão dos últimos dias entre o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal e procurou amenizar declarações.
Em julho, ele falou sobre eventual não realização das eleições de 2022, caso não houvesse voto impresso - adotando o mesmo discurso de Bolsonaro. Mas diante dos deputados nesta terça-feira (17) desvinculou os militares de qualquer ideia de ruptura institucional.
Braga Netto se recusou a comentar o aviso feito por Bolsonaro no sábado (14) e repetido nesta terça-feira, de que pedirá o impeachment dos ministros do Supremo Luís Roberto Barroso, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Alexandre de Moraes. Incentivados por Bolsonaro, apoiadores do governo programaram um ato contra o Judiciário no feriado de 7 de setembro. "Não haverá desfiles, exatamente em virtude da pandemia", disse o general.
"O País tem somente Três Poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, que têm de estar harmônicos e independentes. A Força Armada trabalha com o que está em cima do artigo 142 (da Constituição Federal). É isso, sem especulações.
O titular da Defesa disse, ainda, que não vinculou a realização das eleições de 2022 à aprovação do voto impresso.
"Reitero que não enviei ameaça alguma, não me comunico com presidente dos Poderes por intermédio de interlocutores. No mesmo dia, ainda pela manhã, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, confirmou publicamente que não houve esse episódio", afirmou. "Considero esse assunto resolvido, esclarecido e encerrado."