Estudos publicados em junho podem ter desvendado o mistério sobre a origem dos lagos subterrâneos no polo sul de Marte. Como aponta a matéria veiculada no portal Olhar Digital, qualquer água no estado líquido na superfície duraria apenas alguns instantes, pois logo se transformaria em vapor devido à atmosfera do Planeta Vermelho. E é nesse momento que vem a indagação: qual a origem dos lagos?
A descoberta de evidências de lagos subterrâneos bem abaixo da calota polar no sul de Marte ocorreu em 2018. Uma equipe liderada por Roberto Orosei, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, interpretou que sinais de radar brilhantes sob a calota polar poderiam ser água líquida, no entanto, alguns cientistas, como Jeffrey Plaut, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, depois de analisar melhor os dados, acreditaram que seja a argila a responsável por tais sinais.
Ainda de acordo o portal Olhar Digital, Plaut e um doutorando da Universidade Estadual do Arizona (ASU), Aditya Khuller, encontraram dezenas de reflexos mais brilhantes, como aqueles do estudo de 2018, e a equipe identificou muitos desses sinais em áreas próximas à superfície, como aponta um publicado na Geophysical Research Letters. Nestas áreas seria muito frio para que água permanecesse na forma líquida.
Isaac Smith, da Universidade de York, tendo conhecimento da existência de um grupo de argilas chamadas esmectitas no Planeta Vermelho, avançou num terceiro artigo do qual mediu as propriedades da dessa argila em laboratório. Após congelar as amostras, Smith viu que a resposta correspondia quase de maneira idêntica às observações da equipe de Roberto Orosei e verificou a presença de argilas próximo às do radar utilizado pela equipe de Orosei. Eles se basearam em dados do MRO, aponta a reportagem do portal Olhar Digital.
Segundo a matéria vinculada no Olhar Digital, não há como confirmar o que é exatamente os sinais brilhantes sem pousar no pólo sul de Marte, mas os artigos trazem explicações mais lógicas do que água líquida. "Na ciência planetária, muitas vezes estamos apenas avançando lentamente em nosso caminho mais perto da verdade", disse Plaut. "O artigo original não provou que era água, e esses novos trabalhos também não provam que não. Mas, tentamos reduzir as possibilidades o máximo possível para chegar a um consenso."