Geral

Rede municipal: faltam professores e alunos são dispensados mais cedo

Guilherme Tavares especial para o jc
| Tempo de leitura: 2 min

Pais de alunos da rede municipal de ensino de Bauru reclamam que os filhos não estão tendo a grade completa de aulas e, frequentemente, têm sido liberados mais cedo das escolas. Os relatos são de famílias de estudantes da Escola Municipal de Ensino Infantil (Emef) Cônego Aníbal Difrância, que fica no Centro, mas o problema se estende a, pelo menos, mais quatro unidades, conforme apurou reportagem do JC. Entre os motivos, estão os afastamentos de alguns docentes que aderiram à greve sanitária e de professores que fazem parte de grupos de risco e, com isso, estariam justificando as ausências.

Além disso, os pais reclamam que os conteúdos das aulas remotas têm sido insuficientes e aplicados de maneira ineficaz, prejudicando o ano letivo (leia mais abaixo).

A atendente Elaine Cristina de Oliveira Hernandes tem um filho de 14 anos na 8.ª série do Cônego Aníbal e conta que, em alguns dias, o jovem não chega a ficar nem duas horas na unidade. "Ele entra às 7h e sai 8h40. Eles alegam que, por causa da pandemia, o número de professores diminuiu. Está faltando matéria, é um prejuízo", critica.

O relato é parecido com o do comerciante Paulo Roberto Ramos, pai de um aluno de 15 anos matriculado no 9.º ano da mesma escola. "Eles (os alunos) estão divididos em duas turmas. Semana passada era a vez de ele ir presencialmente. Mas, saiu mais cedo a semana toda, não tem professor", diz.

20% DO TOTAL

Uma servidora ouvida pela reportagem do JC, que pediu para ter a identidade preservada, confirmou que, pelo menos, dez dos 50 docentes do Cônego Aníbal não retomaram às atividades presenciais - o que representa 20% do total. "Muitos deles, mesmo tendo tomado a segunda dose, não quiseram voltar para a sala de aula. O problema é mais grave no período da tarde", relata a funcionária, dizendo ter conhecimento de que, pelo menos, outras quatro unidades enfrentam o mesmo problema: Emefs Santa Maria, Nacilda de Campos e Ivan Engler de Almeida e Núcleo de Ensino Renovado Lydia Alexandrina Nava Cury.

Questionados sobre o déficit total de professores da rede municipal em Bauru, nem a Secretaria Municipal de Educação e nem o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) apresentaram números precisos de quantos docentes estão nessa situação. "Os servidores informaram individualmente à Secretaria de Educação que aderiram à greve sanitária. Nós sabemos que muitos já voltaram ao trabalho, mas tantos outros aderiram ao movimento depois, por isso não temos o número preciso", explica o advogado do sindicato José Francisco Martins.

Já a Secretaria Municipal de Educação não respondeu os questionamentos da reportagem sobre os problemas até o fechamento desta edição.

Comentários

Comentários