Cátia Oliveira recebeu a convocação para defender a seleção brasileira de futebol no Mundial Sub-17 da categoria em uma tarde, por volta das 17h. Seria motivo de muita festa, se ela não tivesse sofrido um acidente automobilístico pela manhã, às 11h, que a deixou paraplégica. Catorze anos depois daquele trauma, ela faturou neste sábado (28) a medalha de bronze no tênis de mesa nos Jogos Paralímpicos. Moradora de Bauru, Cátia Oliveira é campeã parapanamericana e bi-campeã brasileira de tênis de mesa, e representa a Nova Era de Tênis de Mesa de Bauru, desde 2014. A atleta é a atual número 5 do mundo.
No dia do acidente, a garota, nascida na cidade de Cerqueira Cesar, estava no banco de trás do carro, dormindo, sem cinto de segurança, quando tudo aconteceu. As outras duas pessoas no veículo, dirigido por uma colega de time menor de idade, não sofreram nada com o choque, mas ela teve uma lesão na coluna e perdeu os movimentos das pernas.
Foram cinco anos de recuperação até que, em 2012, ela conheceu o tênis de mesa paralímpico e resolveu se arriscar. Em 2016, chegou pela primeira vez à Paralimpíada. E, em 2018, a um feito histórico: a prata no Campeonato Mundial. Mas mais uma vez a felicidade veio junto com uma enorme dor.
O pai dela, Flávio Alves, teve um ataque cardíaco ao saber da classificação da filha para a final do Mundial, precisou ser internado em um hospital, e acabou não resistindo. Faleceu antes que ela subisse ao pódio com a medalha de prata.
Passado o trauma, ela continuou no tênis de mesa e chegou hoje a mais uma conquista histórica. Ontem (27), ao se classificar para a semifinal, ela já havia garantido uma medalha paralímpica. Hoje essa medalha ganhou cor, de bronze, depois que ela foi derrotada pela sul-coreana Su Yeon Seo por 3 a 1, de virada, pelas semifinais das classes 1 e 2, para atletas cadeirantes.
Na madrugada deste sábado (29), Cátia começou melhor no primeiro game e o fechou em 11/7. Na segunda parcial, a brasileira chegou a liderar, mas levou a virada da sul-coreana, que é a atual campeã mundial e venceu por 11/8
No terceiro game, Su Yeon abriu vantagem e ganhou por 11/5. Já no quarto, Cátia fez disputa equilibrada, mas viu a sul-coreana ficar com a vitória com o placar de 11/9.
"Estou muito feliz. Lógico que eu queria ter ido para a final e tentado brigar pelo ouro. Tive um desempenho muito bom e perdi em detalhes que fizeram total diferença. Mas em nenhum momento parei de brigar, em momento nenhum abaixei a cabeça. No Rio, não passei da fase de grupos, hoje saio com uma medalha de bronze. E ainda tem mais, já que teremos a disputa por equipes", disse a medalhista paralímpica em Tóquio.
Com esse resultado, o Brasil passa a acumular 20 medalhas conquistadas nas Paralimpíadas de Tóquio, sendo seis de ouro, cinco de prata e nove de bronze. A medalha de Cátia foi a terceira do país neste sábado, quarto dia de eventos no Japão. As outras duas foram no atletismo: a prata de Thalita Simplicio nos 400m rasos T11 e o bronze de Julyana da Silva no lançamento de disco da classe F57.