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'Protetora' de plantas encontra no verde a esperança de dias melhores

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Jacarandás mimosos, goiabeiras, pingos d'ouro e ipês. Essas são algumas das espécies cultivadas pela bancária aposentada Ana Maria Novaes Muniz, de 60 anos, no canteiro central da avenida Engenheiro Luís Edmundo Carrijo Coube, na região do Jardim Colonial, em Bauru. Desde que parou de trabalhar, em 2018, ela cuida diariamente dessas plantas. "Eu ainda não 'senti' tanto os efeitos da pandemia, pois as árvores ocuparam a minha mente", completa a aposentada, que vê no verde a esperança de dias melhores.

Solteira e sem filhos, ela se sente mais à vontade em meio aos seus nove gatos e, claro, às plantas. "Eu vivo em Bauru há 28 anos e me mudei para o Jardim Colonial em 2005, momento em que comecei a cultivar algumas espécies no meu bairro".

Natural de Martinópolis, município vizinho de Presidente Prudente, a aposentada se mudou para Bauru a trabalho e não mais pensa em deixar a cidade. "Depois que eu parei de trabalhar, consegui dedicar um tempo maior às plantas, cultivando as espécies do canteiro central da avenida entre o Portão 1 da Unesp e a sede do Samu", complementa.

Apesar do surgimento de alguns obstáculos, como as formigas e a falta de chuva, Ana Maria não desiste de dar vida ao local. "Uma moça que passou pelo canteiro me orientou a colocar alho cru nos troncos das mudas para evitar esse tipo de praga. Mesmo assim, eu visito o local todas as noites para ver se tem alguma formiga e, em caso positivo, jogo veneno", narra.

COMPROMISSO

Além de vigiar as plantas todas as noites, a aposentada também as rega duas vezes por semana, feito que ocupa cerca de três horas do seu dia. Tamanha dedicação chamou a atenção de alguns vizinhos, inclusive, dos servidores da Unesp. Eles oferecem água para Ana Maria encher os recipientes que carrega em um carrinho de feira. "O proprietário de um prédio em construção também falou para eu retirar água de lá, caso precisasse, pois não aguento caminhar da minha casa até o canteiro central com os galões cheios", observa.

Para ela, o ideal seria que ela conseguisse pegar o líquido de um hidrante situado em frente aos ipês amarelos, uma das suas plantas preferidas. "Eu tenho osteonecrose no quadril e não consigo andar muito", revela.

Por ora, a aposentada conta com a ajuda dos vizinhos e pedestres. "Apesar de não ter qualquer familiar em Bauru, eu não me sinto só, pois, além da companhia dos gatos e plantas, as pessoas param para conversar comigo e dão dicas valiosas sobre jardinagem", comenta Ana Maria Muniz, que encontrou inspiração no seu avô, falecido desde que a aposentada tinha 12 anos. "Ele trabalhava vendendo mudas e eu adorava ajudá-lo".

A paixão pelas plantas se mescla com a vontade de ver a sua vizinhança florescer, fato que estimula os outros moradores a cuidar do espaço público. "Um senhor começou a plantar árvores frutíferas e algumas pessoas guardam cascas de frutas e verduras para eu usar como compostagem. Gentileza gera gentileza", finaliza.

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