A Polícia Civil de Bauru concluiu, nesta sexta-feira (3), o inquérito sobre a morte de Arthur Oliveira dos Santos, de 2 anos, que ficou preso por mais de três horas dentro do veículo de sua babá, na região do Jardim Redentor, na tarde do dia 25 de agosto. Glaucia Aparecida Luiz, de 35 anos, foi indiciada por homicídio com dolo eventual e permanece presa preventivamente na Penitenciária Feminina de Pirajuí. Agora, cabe ao Ministério Público (MP) remeter ou não a denúncia à Justiça, que deve decidir sobre eventual ajuizamento de ação.
De acordo com a delegada responsável pela conclusão do inquérito e também titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Márcia Regina dos Santos, durante as apurações, foram ouvidos os policiais militares que fizeram o atendimento inicial, o investigador da Polícia Civil que deu a voz de prisão, a própria babá e a mãe do Arthur, Karina Oliveira Souza dos Santos, de 25 anos. Além disso, o laudo necroscópico realizado na criança apontou a asfixia como causa de morte.
"Ela foi indiciada no ato da prisão por homicídio com dolo eventual, que foi realizado com a convicção do delegado plantonista. O dolo, simplesmente dolo, requer a vontade do autor. Ela não teve vontade de matar a criança. Então, por isso, a gente descarta o dolo propriamente dito. O dolo eventual é quando a investigada assume o risco de produzir. Ela não quer o resultado, mas, com a conduta dela, assume o risco de produzir o resultado. Então, quando ela esqueceu a criança no carro, assumiu o risco do resultado morte. Agora, cabe ao Ministério Público ofertar a denúncia ou não. Mas, acredito que ela será, sim, denunciada", detalha a delegada.
RELEMBRE O CASO
Em 25 de agosto último, dia mais quente do ano até então em Bauru, Arthur morreu após ficar durante três horas e seis minutos trancado dentro do carro da babá, que estava estacionado em frente à residência dela, na região do Jardim Redentor. O caso foi noticiado em primeira mão pelo JC.
Câmeras de segurança mostraram que o menino foi esquecido no veículo às 13h45 e só foi resgatado às 16h51. Apesar de a babá Glaucia ter levado Arthur à UPA do Geisel, ele deu entrada na unidade já sem vida. A enfermeira da unidade informou à polícia que ele estava com o maxilar enrijecido quando chegou. Arthur foi velado em 26 de agosto, em Bauru, e sepultado em Macatuba, cidade natal dos pais da criança, na mesma data.
Segundo a polícia, Glaucia administrava na própria casa uma creche clandestina, onde cuidava de cerca de 18 crianças, além de Arthur, sem a estrutura necessária.
O pequeno frequentava o local há cerca de 10 meses. Por conta do contexto, a babá foi presa em flagrante na ocasião por homicídio com dolo eventual.