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Alta da energia ameaça ainda mais a sobrevivência de pequenas indústrias


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A grave crise energética que o País atravessa tem sido mais um duro golpe para as micro e pequenas empresas de Bauru, que sequer conseguiram se recuperar economicamente após quase um ano e meio de pandemia. Elas correspondem, hoje, à maioria das 1,5 mil indústrias da cidade e são as que mais devem ser penalizadas, por trabalharem com margens de lucro mais estreitas.

E, ao contrário do segmento de comércio e serviços, elas dependem muito mais fortemente da energia elétrica, que vem sofrendo reajustes sucessivos nos últimos meses. O mais recente, agora em setembro, levou à criação da bandeira de "escassez hídrica", que deve representar um aumento médio de 6,78% na conta de luz, ameaçando ainda mais a sobrevivência destes negócios.

De acordo com levantamento elaborado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a energia elétrica corresponde a 15,4% dos custos operacionais destes empreendimentos, ficando atrás apenas da folha de pagamento (34,3%) e da aquisição de matérias-primas (16,6%). Porém, para 28% deles, a energia já se tornou a principal despesa.

"Para uma pequena indústria têxtil, por exemplo, a energia pode se tornar a principal despesa, ultrapassar 20% dos custos operacionais tranquilamente", comenta o engenheiro eletricista Rhauan Romagnolli Dias, analista técnico do Centro Sebrae de Sustentabilidade do Estado do Mato Grosso, salientando que o cenário atual representa risco real para a sobrevivência destes pequenos negócios.

"Eles já têm margens de lucro muito justas. Se o custo da energia continuar crescendo e não houver aumento da produtividade, este momento poderá ser muito difícil para a sobrevivência destas empresas, que terão de reduzir ainda mais suas faixas de lucro para conseguir manter seus produtos a preços competitivos no mercado", acrescenta.

MERCADO INTERNO

Especialistas vinculados ao setor ouvidos pelo JC apontam que a situação vivida por estes negócios é dramática porque eles dependem essencialmente do mercado interno, já bastante impactado pela inflação alta. Some-se a isso o fato de as famílias terem perdido poder de compra, seja pelo fato de os salários não terem sido reajustados na mesma velocidade, pela perda de empregos ou pelas reduções salariais proporcionais às jornadas de trabalho.

"Então, muitas empresas não têm como repassar integralmente estes aumentos de custo. E, com a alta da taxa básica de juros, que encarece os empréstimos, elas podem se tornar inviáveis, até porque, além da energia, o custo de insumos e matérias-primas tem subido de forma generalizada, na ordem de 30%, 40%, sendo que alguns chegaram a mais de 100%. A situação é crítica", detalha o presidente do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri.

Segundo levantamento mais recente realizado pela entidade, relativo à segunda quinzena de julho, 85% dos pequenos e micro negócios paulistas acusaram alta no preço de matérias-primas e insumos.

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