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Depressão infantil na pandemia

Valmor Bolan
| Tempo de leitura: 2 min

Os danos à saúde mental, principalmente entre as crianças, tem sido motivo de preocupação dos especialistas que estudam os efeitos da pandemia na sociedade. As mudanças ocorridas no dia-a-dia, com as restrições de várias atividades, trouxeram vulnerabilidade, com isso, mais depressão e ansiedade. Nem todos conseguem compreender o que está acontecendo e precisam de apoio. Miriam Rosa conta que "em um novo trabalho, publicado no periódico Jama Pediatrics, pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, avaliaram dados de 29 estudos com crianças e adolescentes em diversos países e chegaram a alguns números alarmantes: um em cada quatro sofre de depressão, enquanto um em cada cinco está lutando contra a ansiedade. Os dados indicam que os sintomas relacionados às doenças dobraram entre indivíduos desses grupos em comparação com a pré-pandemia. E evidenciam ainda que eles parecem estar piorando com o tempo".

E acrescenta: "A irritabilidade é uma das principais reações emocionais em crianças, e a falta de amigos na escola é uma constante. Já os adolescentes apresentam tristeza, solidão e tédio, outros sintomas depressivos que requerem mais atenção para que o adolescente não se desestimule por completo".

O distanciamento social e o tempo prolongado em casa alterou a rotina de muitos, interrompendo laços de afeto e sociabilidade, fazendo com que crianças, adolescentes e jovens sintam-se mais necessitados de apoio. Daí a importância dos pais estarem atentos e buscarem dar o suporte de que precisam os seus filhos, buscando dialogar e interagir mais com eles, para que não se sintam sozinhos e possam melhor responder aos desafios existentes. Se não houver esse apoio, as crianças irão buscar o suporte nas redes sociais, e poderão não conseguir suprir aquilo que somente os pais e educadores podem proporcionar.

Especialistas concordam também que "as redes sociais podem oferecer gatilhos mentais para quem tem algum distúrbio ou transtornos psiquiátricos e agravar os sintomas", segundo a psiquiatra Renata Nayara Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr): "A pessoa que já tem transtornos mentais são as mais vulneráveis, tem outros fatores de risco e a rede pode servir de gatilhos mentais para muitas coisas, por exemplo, nos transtornos alimentares, com comportamentos purgativos, de pacientes anoréxicos, ou bulímicos". E mais: "Uma pessoa que está triste porque não conseguiu tal coisa e a outra pessoa está comemorando porque conseguiu, ou a pessoa que está triste e vê nas redes sociais só coisas boas; este também é um gatilho de um paciente deprimido ou ansioso". Por isso, é importante que os pais e os professores estejam atentos a isso e ajudem as crianças, adolescentes e jovens a superarem a crise, com diálogo e interação, para evitar a depressão e a ansiedade.

O autor é doutor em Sociologia.

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