Cultura

Representatividade vai além do negro na tela

Fernanda Pereira Neve
| Tempo de leitura: 2 min

Ana Flávia Cavalcanti, 39 anos, está de volta a "Sob Pressão" (Globo) e fez questão de recorrer às redes sociais para ver a repercussão de sua personagem. Mas não encontrou elogios e entusiasmo. Ela conta que viu até desejos de morte a Diana.

A atriz não parece ter ficado chateada, diz que entende essa paixão do público, já que sua chegada vai estremecer o casal protagonista, formado por Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano). Isso porque Diana não voltou sozinha, mas com o pequeno Francisco, filho que Evandro não sabia que tinha.

A atriz chegou à história na terceira temporada, como uma dependente química que se envolve com Evandro durante uma crise no casamento dele. Segundo ela, na época, não havia nenhuma perspectiva de retorno de Diana, que agora retornou do interior para o Rio em busca de tratamento médico para Francisco.

"Acho que essa volta é fundamental para a estrutura do casal protagonista, foi uma maneira de dar continuidade para essa narrativa. Evandro e Carolina são perfeitos e imperfeitos, cheios de camadas. E Diana vem com o que falta para eles: um filho. O filho significa continuidade, mas veio de outra mulher, que ele não ama."

Nesse contexto, Cavalcanti afirma que o público pode esperar a discussão de assuntos profundos e delicados que envolvem temas como depressão pós-parto, alienação parental e disputa de guarda. "O buraco é muito mais profundo e vai ter hora em que as pessoas não vão saber nem para quem torcer", afirma.

Violência, fome e HIV na terceira idade são alguns assuntos que também devem ser abordados em outros núcleos, além da Covid-19, que está de volta após o especial do ano passado, agora como coadjuvante. Para a equipe, no entanto, a pandemia era muito presente, já que as gravações aconteceram nesse período.

Cavalcanti, no entanto, garante que se sentiu segura o tempo todo, devido aos protocolos da emissora. "Mas isso é totalmente pessoal", afirma. "Tenho amigos com as mesmas condições de trabalho que ficaram muito assustados e a gente tem que respeitar, mas eu vi ali um contexto de muitos testes, equipe mascarada".

Vacinada com a primeira dose, ela celebra a aproximação da segunda, mas destaca que teve oportunidades que a maior parte da população não teve. "Pude ficar na minha casa, fazer compra online e não ando de transporte público desde antes da pandemia. Fiquei tranquila, mas porque estava nesse lugar de privilégio."

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