PALEONTOLOGIA

Abaixo-assinado reivindica repatriação de fóssil raro de dinossauro brasileiro

Por Larissa Bastos |
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Ubirajara jubatus viveu há cerca de 110 e 115 milhões de anos e é o dinossauro mais antigo da Bacia do Araripe
Ubirajara jubatus viveu há cerca de 110 e 115 milhões de anos e é o dinossauro mais antigo da Bacia do Araripe

Um historiador de Bauru criou uma petição online pedindo a repatriação de um fóssil do raríssimo do dinossauro brasileiro Ubirajara jubatus, que, atualmente, está no Museu Estadual de História Natural Karlsruhe (SMNK), na Alemanha. De acordo com a Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP), o único exemplar do dinossauro foi levado ilegalmente ao país germânico, que se recusa a devolver o fóssil do réptil extinto. Até esta quinta-feira (23), o abaixo-assinado já ultrapassava 8,6 mil assinaturas.

Também existe um movimento nas redes sociais com a hashtag #UbirajaraBelongstoBR (em tradução livre, "Ubirajara pertence ao Brasil"), pedindo a repatriação.

Recentemente, cientistas confirmaram que o Ubirajara jubatus é o primeiro dinossauro não-aviário conhecido com penas excepcionalmente proeminentes nos ombros encontrado no Hemisfério Sul (veja a ilustração). Acredita-se que ele tinha o tamanho aproximado de uma galinha e vivia na região da Bacia do Araripe, no Ceará, há cerca de 120 milhões de anos. A Alemanha, contudo, possui o único exemplar do predador.

Entretanto, pesquisadores brasileiros sequer sabiam da existência do dinossauro até um renomado periódico científico, chamado Cretaceous Research, publicar um estudo a respeito do réptil, em dezembro do ano passado. "Foi então que a SBP questionou a Alemanha sobre a origem do fóssil. Em resposta, o museu apresentou um documento alegando que a exportação foi autorizada em 1995. Porém, existe uma lei brasileira publicada em 1942 que proíbe a saída de qualquer fóssil do País em qualquer circunstância. Ou seja, se o fóssil está lá desde 1995, significa que foi transportado ilegalmente", aponta o historiador Leonardo Troiano.

Além disso, ele ainda detalha que, no documento apresentado pelo museu, consta que um servidor do antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), hoje Agência Nacional de Mineração (ANM), teria feito uma doação de caixas repletas de fósseis, sem atribuição plena para fazê-lo e sem determinação exata do conteúdo das caixas. "Antes, o museu tinha se mostrado disposto a devolver. Depois, alegou que há uma lei alemã que afirma não ser obrigatório devolver itens contrabandeados que chegaram no País antes de 26 de abril de 2007, e passou a se negar a devolver o fóssil ao Brasil", declara Troiano.

Diante disso, a SBP está em contato com o museu alemão buscando uma saída para conseguir a repatriação do Ubirajara jubatus. "Trazê-lo de volta é de extrema importância para o Brasil em âmbito científico, paleontólogo, histórico e cultural. Poderíamos desenvolver diversos estudos e ainda usá-lo para atrair visitantes aos museus, o que aumentaria o investimento no setor. Enquanto está na Alemanha, eles estão usufruindo de uma coisa que pertence à nossa nação. Então, para reforçar essa luta, criei uma petição online para mostrar para as autoridades brasileiras que a população está interessada em repatriar o fóssil, para beneficiar o País", complementa Troiano. Ele reforçou, ainda, que o Ministério Público Federal (MPF) está encaminhando as ações cabíveis do caso.

PETIÇÃO

Para assinar o abaixo-assinado que pede a repatriação do único fóssil do Ubirajara, basta acessar o link do site charge.org (https://chng.it/pbvqMRQdv2).

Ubirajara jubatus viveu há cerca de 110 e 115 milhões de anos e é o dinossauro mais antigo da Bacia do Araripe. Foto: Divulgação
Ubirajara jubatus viveu há cerca de 110 e 115 milhões de anos e é o dinossauro mais antigo da Bacia do Araripe. Foto: Divulgação
Ubirajara jubatus viveu há cerca de 110 e 115 milhões de anos e é o dinossauro mais antigo da Bacia do Araripe. Foto: Divulgação
Ubirajara jubatus viveu há cerca de 110 e 115 milhões de anos e é o dinossauro mais antigo da Bacia do Araripe. Foto: Divulgação
Historiador Leonardo Troiano, de Bauru. Foto: Arquivo pessoal
Historiador Leonardo Troiano, de Bauru. Foto: Arquivo pessoal

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