Uma bauruense é destaque em quadras de basquete pelo mundo, inclusive em Jogos Olímpicos. E ela sequer arremessa a bola laranja na cesta. Não mais. Andreia Regina Silva, 41 anos de idade e 22 de arbitragem, sendo 11 deles com status de árbitra internacional, é na atualidade uma das mais conceituadas profissionais da modalidade esportiva. E ela apita mais jogos do masculino do que no feminino, além de ser admirada pelos colegas de profissão.
Andreia Regina Silva é do Jardim Europa e apaixonou-se pela modalidade na infância. Ela jogou basquete durante a adolescência na equipe da Vila Santa Luzia, na qual desempenhava a posição de ala, até que um dia o time acabou. O sonho de trabalhar com basquete permanecia forte e, mesmo que não fosse possível ser jogadora, viu na arbitragem a oportunidade de estar perto e fazer o que mais gosta.
"Fui realizar o curso de arbitragem na Federação Paulista e percebi que, de fato, queria ser árbitra. Decidi investir meu tempo nisso. O início foi bem difícil, mas hoje consegui ter uma carreira vencedora. Estive em vários campeonatos internacionais, masculinos e femininos. Sempre atuando bem", comenta Andreia.
"Hoje sou empresária também. Tenho uma empresa de arbitragem e um produto lançado no mercado para alta performance e emagrecimento", destaca a árbitra, diretamente de um pós-jogo do Fiba AfroBasket 2021, na qual representou o Brasil na 30ª edição do campeonato continental africano de basquete masculino. O torneio foi sediado em Ruanda.
Atualmente, Andreia apita partidas do Campeonato Paulista, inclusive de jogos do Zopone/Bauru Basket, e está escalada para o Novo Basquete Brasil (NBB) 2021/22.
OLIMPÍADAS
A bauruense tem no currículo, em 2021, uma partida do poderoso time masculino estadunidense, 16 vezes campeão olímpico. Ela comandou, na Tóquio-2020, a arbitragem de Estados Unidos x Irã, com vários astros da NBA em quadra, como Jrue Holiday (Milwaukee Bucks), Kevin Durant (Brooklyn Nets), Draymond Green (Golden State Warriors) e Kevin Love (Cleveland Cavaliers), entre outros.
Ela também arbitrou a final olímpica do feminino, entre Estados Unidos e Japão. As estadunidenses venceram a seleção japonesa por 90 a 75 e se sagraram campeãs olímpicas pela sétima vez consecutiva. "Apitar os Jogos Olímpicos e o Fiba Afrobasket foram conquistas de uma carreira vitoriosa e abençoada por Deus. Ele sempre esteve e está até hoje guiando tudo o que eu faço", destaca Andreia Regina Silva.
A árbitra se diz otimista para o futuro das seleções nacionais, que não estiveram no Japão, em 2021. "Tenho certeza que os responsáveis pelo desempenho das seleções olímpicas de basquete do Brasil, tanto masculina quanto feminina, estão fazendo o máximo para colocar ambas novamente nos Jogos Olímpicos de Londres (2024). O trabalho está sendo feito e tenho certeza que os resultados fora do País virão o mais rápido possível", avalia.
INÍCIO
Antes da realização profissional, ela passou por várias dificuldades no início. Ao ir para São Paulo, há cerca de 20 anos, em busca de ingressar na arbitragem do basquetebol, Andreia lutou contra obstáculos financeiros enquanto buscava se firmar nesta profissão. Ela fazia faxina no imóvel onde vivia, em troca de moradia, além do preconceito sofrido por ser mulher em um esporte predominantemente ocupado por homens nas direções de federações e times profissionais.