A casa da aposentada Maria Cândida Meira Leite, 64 anos, no Jardim Terra Branca, Zona Oeste de Bauru, se transformou em uma verdadeira fortaleza. Grades nas portas, três câmeras de segurança, cerca elétrica e concertina em todo o perímetro. A mais nova "aquisição" foi a instalação de uma grade para fechar o vão livre da área de serviço, com receio de que algum bandido pudesse entrar por ali. "Era o único lugar desprotegido. Contratei um serralheiro para colocar a grade. Mas assim mesmo a gente fica inseguro e com medo, porque tudo pode acontecer", diz Maria.
Ela e outros moradores da região do Terra Branca têm relatado o medo de furtos, problemas com a iluminação pública (leia mais abaixo) e a falta de policiamento, principalmente perto da Hípica e da Praça Gastão Vidigal. "É muito raro ver uma viatura por aqui. De vez em quando vejo pela câmera de monitoramento eles passando", conta a aposentada. "Na quadra de trás tem uma casa desocupada, entraram lá e levaram toda a fiação", diz Maria Cândida.
Apesar dos relatos dos moradores, os números da Polícia Militar mostram que, neste ano, foram registrados um roubo (em março) e quatro furtos na região do Terra Branca. Sobre o patrulhamento, a PM diz que vai intensificar as ações no local. E também afirmou fazer o "policiamento ostensivo preventivo, diuturnamente, de maneira inteligente e gestão moderna, por meio de análise de todas as áreas de interesse de segurança pública, com base nos registros de ocorrência e/ou denúncias direcionadas à PM".
PREJUÍZOS
A empresária Bruna Pereira, moradora há dez anos do bairro, também reclama da falta de policiamento. "Não passa patrulhamento. Instalei câmeras de segurança. Mesmo assim tem gente que usa drogas aqui na rua todo dia. Como não tem viatura passando, eles se sentem à vontade para fazer o que quiserem, nem se importam mais com as câmeras", alega a comerciante.
No começo do mês passado, bandidos entraram na loja dela durante a madrugada e furtaram toda a fiação elétrica, além de equipamentos. "Temos a loja há mais de dez anos, antes era do meu pai. Nunca tinha acontecido isso. Deixa a gente cada vez mais preocupados", diz a empresária. O prejuízo foi de R$ 12 mil e ainda não foi possível repor tudo que foi levado. "Atrasamos alguns prazos. O jeito foi improvisar, tive que colocar umas extensões e ligar as máquinas para continuar trabalhando", diz Bruna.