Brasília - Minutos antes do início da sessão desta quarta (6), no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro, por meio do advogado-geral da União, Bruno Bianco Leal, encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes a informação de que prestará pessoalmente o depoimento à Polícia Federal no inquérito "Bolsonaro x Moro", que apura se houve interferência política do chefe do executivo na corporação. Moraes solicitou, portanto, a suspensão do julgamento para avaliar se a pauta foi prejudicada.
No documento, Bolsonaro afirma que a medida foi tomada com o "intuito da plena colaboração com a jurisdição dessa Suprema Corte". Semana passada, segundo um interlocutor dos ministros, a tendência na Corte era de que fosse mantido o entendimento elaborado pelo ex-ministro Celso de Mello, que conduziu o inquérito como relator até sua aposentadoria. Mello defendeu a posição de oitiva presencial para Bolsonaro e do envio de perguntas pelo ex-ministro Sérgio Moro, pivô da investigação.
Em setembro de 2020, o ex-ministro Celso de Mello determinou que o depoimento fosse coletado presencialmente pela PF. Dois meses depois da decisão, o presidente disse ao STF que "declinava do meio de defesa". A indefinição travou o inquérito por quase um ano.