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Grupo oferece apoio emocional a quem perdeu pessoas para Covid

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Compartilhar experiências, encontrar estratégias e falar sobre as fases do luto. É assim que uma iniciativa em Bauru tem ajudado vítimas da Covid a lidar com a perda de um parente ou ente querido. O Projeto Esperança reúne um grupo de pessoas em encontros semanais para dialogar a respeito desse momento de dor e tristeza. Em agosto, o projeto reuniu oito pessoas nessa atividade. Agora, está com vagas abertas para uma nova rodada de encontros.

"O objetivo não é sair do luto. É entender melhor o que está acontecendo, ver que têm outras pessoas passando por esse tipo de problema. É criar vínculos para encontrar amparo e enfrentar essa situação", explica a psicóloga Aline Garcia, idealizadora do projeto. "Eu queria fazer algo porque as pessoas estão sofrendo muito. Enxerguei nessa atividade uma forma de ajudar".

O primeiro grupo contou com oito sessões e os resultados são considerados positivos. "Por mais difícil que fosse, essas pessoas pelo menos conseguiram conversar, compartilhar o que estavam sentindo. É um avanço", avalia a psicóloga. Para o segundo grupo, previsto para começar na próxima quarta-feira (13), ainda há vagas. Não há custos para participar.

Para os encontros, Aline preparou temas para as conversas e traçou metodologias de abordagem, atuando na mediação. "Criamos um ambiente seguro e sigiloso para o diálogo. As pessoas não estão ali para julgar. Esse tipo de dor não se mede. Nosso objetivo é trocar experiências e compartilhar estratégias".

Os encontros são realizados em um espaço cedido na Paróquia São Sebastião, na Vila Antártica. Não há cunho religioso.

RESSIGNIFICAÇÃO

A jornalista bauruense Rosana Poli foi uma das participantes do Projeto Esperança. Ela perdeu o irmão mais novo em junho deste ano para a Covid. Pouco mais de um ano depois da morte do pai, que teve um AVC. "Eu não estava conseguindo superar, principalmente a morte do meu irmão. A Covid é muito cruel. Mas lá (no Projeto Esperança) eu pude compartilhar a minha dor e ver a dor do outro. Consegui enxergar que eu não era a única", afirma Rosana. Apesar do acordo de sigilo do grupo, ela aceitou se identificar ao JC.

Para ela, os encontros colaboraram para melhorar o entendimento do momento difícil do luto. "Claro que em dois ou três meses não tira a sua dor. É difícil, mas enxerguei que devo ressignificar a minha vida. Discutimos muitos sentimentos e sensações. Isso ajuda e você sente que contribui também", diz Rosana.

SERVIÇO

Projeto Esperança

Encontros às quartas-feiras, das 19h às 20h30

Paróquia São Sebastião: Travessa São Sebastião, 1-53

Início em 13/10

Informações e inscrições: (14) 99778 7575 - Aline Garcia

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