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Demanda reprimida lota Zoo e, pela 1.ª vez na história, entrada é restringida

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

E os efeitos da demanda reprimida por mais parques na cidade já pode estar impactando nas atuais opções de lazer ao ar livre dos bauruenses. Com 41 anos, o Zoológico de Bauru teve que fechar as portas pouco depois de abrir, pela primeira vez em sua história, no feriado de 12 de outubro. Naquele dia, o parque registrou fila de visitantes e congestionamento de carros, que chegaram a bloquear o trânsito na rotatória em frente ao Zoo e se estenderam até rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), a Bauru-Jaú.

Mesmo com portões fechados durante mais de três horas, o parque recebeu cerca de 4,7 mil pessoas neste dia, mais que o dobro do número de visitantes que acolhe aos domingos, quando, tradicionalmente, registra maior público. Ainda que o feriado prolongado e o fato de a data comemorar o Dia das Crianças tenham colaborado para a superlotação, a diretora do Zoo, Claudia Ladeira, avalia que o movimento foi resultado da vontade crescente das pessoas em fazer passeios ao ar livre, que são mais seguros diante do cenário pandêmico ainda não totalmente contornado.

De acordo com ela, diante de todos os prejuízos psicológicos trazidos por mais de um ano e meio de restrições para locomoção e vivência com o mundo externo, estes indivíduos têm carência em manter contato com a natureza, algo que também é corroborado pelo diretor do Jardim Botânico, Luiz Carlos Almeida Neto.

RISCO

Neste contexto, segundo Claudia Ladeira, o Zoo abriu às 8h no feriado e, uma hora e meia depois, já registrava fila de cerca de 2 mil pessoas, quando, como medida de segurança, o portão principal de acesso precisou ser fechado, após orientação da Polícia Rodoviária e da concessionária que administra aquele trecho da SP-225.

"O estacionamento ficou lotado, os carros ficaram parados na rotatória em frente ao parque e as alças de acesso ficaram bloqueadas. Havia grande preocupação pelo risco de acidentes, especialmente porque, naquele dia, muitas pessoas estavam retornando de viagem na rodovia", detalha a diretora, revelando que, mesmo diante da orientação de que deveriam ir embora, muitas famílias insistiram em permanecer com os carros no local, na tentativa de ingressar no parque.

Ela conta que a polícia demorou quase meia hora para conseguir dispersar o trânsito. Depois que o fluxo de visitantes dentro do Zoo diminuiu, o parque pôde ser reaberto, o que ocorreu pouco depois das 13h.

Já o Jardim Botânico não chegou a registrar recorde de visitantes naquele dia, mas, de maio a outubro deste ano, recebeu 11 mil pessoas a mais na comparação com o mesmo período de 2019. Segundo o diretor Luiz Carlos Almeida Neto, o movimento pode ser resultado do que alguns especialistas têm chamado de 'déficit de natureza'.

"As pessoas ficaram muito tempo 'sufocadas' dentro de casa e, agora, sentem necessidade de retomar este contato, valorizam mais estes espaços. Ainda não dá para saber se esta demanda permanecerá pelos próximos anos, mas é preciso considerar que Bauru cresceu muito. Então, quanto mais espaços a cidade tiver, mais pulverizada será esta concentração de pessoas", observa.

 

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