Pela primeira vez, os debates e as reflexões a respeito do futuro da Igreja Católica terão participação mais ampla e ativa da comunidade. Convocado pelo papa Francisco, o Sínodo dos Bispos contará com debates feitos a nível local, ou seja, entre paróquias e fiéis. A primeira etapa começou oficialmente neste domingo (17) e segue até abril de 2022, quando as dioceses encaminham os relatórios elaborados a partir dos diálogos com as comunidades. Em Bauru, uma missa na Catedral, com padres de toda a Diocese, abriu os trabalhos.
Nesta terça (19) e quarta-feira (20), cerca de 60 padres e freis se reúnem no Seminário Santo Antônio, em Agudos, para debater a metodologia a ser aplicada.
O Sínodo é um processo de debates acerca de assuntos relevantes para a igreja. Dura dois anos e tradicionalmente é discutido pelas conferências nacionais e continentais para, então, ser levado à assembleia em Roma. Dessa vez, o papa Francisco decidiu estender a consulta para que o maior número possível de fiéis participe.
"A proposta é de reflexão, sobre como a Igreja Católica pode contribuir com um mundo melhor. E também sobre o papel dela nessa complexidade do mundo atual, no qual sozinho ninguém resolve nada", explica o bispo de Bauru, dom Rubens Sevilha.
GRUPOS DE TRABALHO
A Diocese de Bauru conta com 42 paróquias em 14 municípios. Cada uma terá equipes de trabalho e um calendário de atividades até elaborar o relatório final com os apontamentos. Os encontros com os fiéis seguirão diretrizes definidas pelos bispos, a fim de conduzir os trabalhos e organizar as contribuições. "Isso nos dá esperança, oxigena as ideias. Precisamos discutir formas de encarar toda essa diversidade, essa cultura fragmentada do mundo de hoje. O papa nos coloca muita esperança", reflete o bispo de Bauru.
Com as contribuições das dioceses, será realizada, de setembro de 2022 a março de 2023, a etapa continental. A última fase será a tradicional Assembleia dos Bispos do Vaticano, prevista para outubro de 2023. "É uma forma de trabalho que veio bem a calhar. Há uma certa surpresa por causa da novidade, mas nos causou uma boa sensação. Ampliar a participação e trazer os fiéis para o debate tem tudo a ver com a mentalidade do papa", afirma dom Rubens.