Política

Recuperação do prédio da Estação para em prioridades da Educação

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Com a afirmação da Secretaria Municipal de Educação de que não pretende investir ou ocupar, pelo menos até 2023, o prédio da Estação Ferroviária da Noroeste do Brasil, não avançaram os debates em torno das ações e projetos que visam a utilização do espaço pela administração municipal, tema da audiência pública desta quarta-feira (27), realizada na Câmara Municipal. Por outro lado, o anúncio da retomada de um empreendimento imobiliário da iniciativa privada na região reabriu a possibilidade de revitalização do centro de Bauru, mesmo sem intervenções na antiga estação. A audiência foi proposta pela vereadora Estela Almagro (PT).

De acordo o último projeto apresentado com proposta de ocupação do espaço, a prioridade seria a instalação de setores administrativos da Secretaria de Educação e também da Saúde. Porém, a desatualização da proposta e o alto custo das obras necessárias, além das prioridades da pasta, levaram a secretária Maria do Carmo Monteiro Kobayashi a descartar a ocupação até o ano que vem, o que afasta qualquer destinação de recursos para recuperação do prédio. "A partir de 2022, se tivermos um superávit e se as escolas estiverem recuperadas, aí sim, podemos voltar a conversar", afirmou.

O imóvel da antiga estação permanece lacrado, desde junho, por determinação do Ministério Público Estadual após apurações do inquérito civil apontarem riscos para os frequentadores, como o perigo de queda dos arcos da Gare.

HISTÓRIA MALTRATADA

A vereadora Estela questionou a secretária sobre a informação dada pela secretária na audiência anterior, em janeiro deste ano, que tratou do assunto, de que R$ 20 milhões poderiam ser destinados para reforma. Kobayashi respondeu com outro questionamento sobre quem ficaria com os custos da manutenção do prédio, depois de reformado.

O coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Roberval Duarte Placce, relembrou o histórico do prédio, as diversas iniciativas e projetos não realizados que levaram à condição atual. "Poderiam ter sido feitas pequenas obras para uso. O prédio é seguro, amplo e poderia abrigar vários órgãos da prefeitura. Como ferroviário, fico muito triste de ver o abandono e como a cidade maltrata a estação e sua própria história", lamentou.

INVESTIMENTO PRIVADO

O secretário de Planejamento, Nilson Ghirardelo, elencou possibilidades para a restauração do prédio do ponto de vista arquitetônico e histórico; comentou sobre o interesse do município de que o espaço seja voltado para uso público, mesmo que explorado pela iniciativa privada, citando como exemplo um supermercado, e sugeriu que uma Parceria Público Privada pode ser a solução para o impasse.

O empresário Avelino Cortellini Junior, do ramo imobiliário, que acompanhava a audiência de forma remota, afirmou que apresentou uma proposta à prefeitura há alguns anos, e que por isso precisa ser atualizada devido ao tempo que permaneceu sem aprovação. Mas que a discussão da revitalização do centro de Bauru, ocorrida como viés na audiência que trata da Estação, reacendeu o interesse pelo investimento, e por isso um projeto revisto deve ser apresentado à prefeitura nos próximos 15 dias.

O presidente do Sincomércio, Wallace Sampaio, reforçou a importância da ação da prefeitura para garantir a revitalização da região, por meio da revisão de regras e normas que facilitem empreendimentos imobiliários.

Já o secretário de Obras, Leandro Joaquim, pontuou como maiores obstáculos para as intervenções na antiga estação os custos das obras, com destaque para as necessárias no entorno, onde as galerias de águas pluviais possuem sistema ultrapassado, além do desassoreamento do Rio Bauru.

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