Brotas - A Polícia Militar Ambiental aplicou nova multa de R$ 1,45 milhão ao dono da fazenda em que mais de mil búfalos foram encontrados em situação de abandono, em Brotas (100 quilômetros de Bauru). O fazendeiro Luiz Augusto Pinheiro de Souza já havia sido multado anteriormente em R$ 2,13 milhões por supostos maus-tratos aos animais. Em razão do abandono - que o proprietário nega - ao menos 36 búfalas e bezerros já morreram na propriedade. Ativistas promoverão um ato pelos animais na Capital (leia mais nesta página).
A nova multa foi aplicada após inspeção feita nesta quarta-feira (24), pela Polícia Ambiental na Fazenda Água Sumida. Os policiais relataram terem encontrado 385 búfalas e 72 cavalos em estado de "magreza acentuada, conceituando o quadro de desnutrição evidente, causada por insuficiência ou ausência de alimentos".
A Ambiental detectou ainda 14 carcaças de animais que morreram recentemente. A legislação ambiental estipula multa de R$ 3 mil por espécime ao proprietário de animal flagrado em situação de maus-tratos. A multa dobra se ocorre a morte do animal.
ABANDONO
A situação de abandono foi constatada em 6 de novembro, quando policiais ambientais foram à fazenda após receberem denúncias. Com base no relatório da Ambiental, a Polícia Civil abriu inquérito. Uma nova inspeção na fazenda encontrou 1.056 búfalos, incluindo bezerros, e 72 equinos. O dono da fazenda teve a prisão temporária decretada, mas pagou fiança de R$ 10 mil e responde em liberdade, mesmo após um segundo pedido de prisão. Dois funcionários também foram presos.
Várias entidades de defesa da causa animal se mobilizaram no salvamento das búfalas. Campanhas na internet arrecadam alimentos para os animais. Na última segunda (22), a Justiça autorizou a ONG Amor e Respeito Animal (ARA) ser fiel depositária de todo plantel, mas sem permitir a retirada dos animais da fazenda. Voluntários que atuaram nas tragédias em Mariana e Brumadinho (MG) e nos incêndios do Pantanal, se deslocaram para Brotas para ajudar no salvamento dos búfalos.
Advogado do fazendeiro, Célio Barbará considera as multas injustas e diz que uma delas já foi objeto de recurso e que a próxima também será, assim que o fazendeiro for notificado. Ainda de acordo com o advogado, como o rebanho está sob a custódia da ONG ARA, a alimentação dos animais passou a ficar por conta dessa organização e de seus voluntários.
A Prefeitura de Brotas tem fornecido caminhões-pipas com água e complemento da comida para os búfalos e providencia, junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a abertura de valas na fazenda para que os animais mortos possam ser enterrados.