Esportes

Brasileira descoberta no Crossfit é bronze mundial no levantamento de peso

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

Há mais de uma década dependente do desempenho de Fernando Saraiva, o levantamento de peso do Brasil deu um salto exatamente agora que o paulistano está suspenso por doping. Nesta quinta-feira (16), Amanda Schott conquistou a medalha de bronze no Mundial da modalidade, no Uzbequistão, no arranco, na categoria para atletas de até 87 quilos. No total, terminou em quinto, com 236kg.

Na terça (14), Laura Amaro, que treina com ela no Rio, já havia se tornado a primeira mulher brasileira a subir ao pódio em um Mundial adulto, também no arranco, para atletas de até 76kg. No total, Laura foi quarta colocada.

No levantamento de peso, os atletas realizam dois exercícios: o arranco (em que o halteres é levantado de uma vez só) e o arremesso (em três fases de movimento). Na Olimpíada, as medalhas são distribuídas a partir da soma dos pesos levantados. Mas, nos eventos organizados pela Federação Internacional, como o Mundial, são entregues medalhas também pelos resultados específicos no arranco e no arremesso.

Tanto Laura quanto Amanda são treinadas no Cefan (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes), estrutura da Marinha no Rio, pelo técnico Carlos Aveiro, o Saul, que tentou concorrer à presidência da CBLP (Confederação Brasileira de Levantamento de Peso) e, desde então, tem sido escanteado pela entidade.

Apesar de trabalhar com duas das três atletas convocadas para o Mundial, as duas que subiram ao pódio, ele não foi chamado para o torneio e acompanhou o resultado de suas atletas pela internet.

Amanda, que é natural de Niterói (RJ), foi descoberta por Saul enquanto treinava em um box de Crossift para competições dessa "modalidade" ?oficialmente, o Crossfit é uma marca, não um esporte. Durante o segundo semestre de 2019, ela ainda se dedicou às duas modalidades, especialmente ao Crossfit.

Convidada por Saul, que desde então paga do bolso um auxílio para ela se manter no esporte, Amanda largou o trabalho como treinadora em três boxes do Crossfit e, desde o início de 2020, treina com foco no levantamento de peso. Em dois anos, chegou a uma medalha no seu primeiro Mundial.

No Mundial ela acertou as tentativas de 102 quilos e de 106 quilos no arranco, mas falhou nos 109. Com 106kg, terminou em terceiro nessa prova, atrás da representante da Mongólia, que conseguiu 109kg, e da atleta da casa, do Uzbequistão, que levantou 102kg.

Treinada para levantar 135kg no arremesso, Amanda entrou na prova com 103kg, mas teve um erro técnico em 130kg. Quando tentou de novo a mesma carga, acertou, alcançando a soma de 236kg, apenas quatro a menos do que fez Laura na terça, novo recorde brasileiro absoluto. No caso de Amanda, é recorde de categoria.

Depois, restou à brasileira torcer para atletas que tinham planejamento de levantar cargas mais pesadas que a dela falhassem, o que não deu certo, terminando em quinto. Ela precisaria de mais quatro quilos para empatar na terceira colocação.

Na Olimpíada, para a qual Amanda não foi convocada, essa carga valeria o nono lugar ?para disputar medalhas, ela precisaria levantar mais de 250kg. Jaqueline Ferreira participou da categoria e ficou em 12º, com 215kg.

Oficialmente, o Brasil tem mais duas medalhas de Mundiais de Levantamento de Peso, ambas de bronze, conquistadas em 2018 por Fernando Reis Saraiva. Fernandão ficou em quarto tanto no arranco como no total, mas o terceiro colocado, Rustam Djangabaev, do Uzbequistão, foi pego no doping e perdeu o resultado. O brasileiro acabou promovido à terceira colocação, mas não se tem notícia de que ele tenha recebido a medalha.

Fernando Saraiva, por sua vez, caiu no doping antes da Olimpíada e desistiu de se defender. Suspenso, ele está proibido de competir.

Comentários

Comentários