Moscou - A Rússia busca evitar conflitos com a Ucrânia, mas as potências ocidentais devem fornecer ao Kremlin ?sede do governo russo? garantias de "segurança incondicional", segundo disse o presidente russo, Vladimir Putin, nesta quinta-feira (23).
Em entrevista a jornalistas, Putin afirmou que os EUA têm mísseis "à porta da Rússia" e que o "Ocidente tem vantagens bélicas" em relação ao país eurasiático.
A conferência ocorre num momento em que os governos dos Estados Unidos e da Europa afirmam que a Rússia se prepara para invadir a Ucrânia no início do ano que vem ?o que o presidente Putin voltou a negar em sua entrevista.
Sobre a expansão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no território russo, Putin disse estar satisfeito com a aparente disposição do governo norte-americano de debater com a Rússia as garantias de segurança reiteradamente exigidas por Moscou.
REAÇÃO POSITIVA
"Até agora vimos uma reação positiva. Os aliados nos Estados Unidos afirmaram que estão prontos para abrir essas conversas logo no início do próximo ano", declarou Putin. "Espero que tudo se desenrole bem", disse ele.
Nas últimas semanas, os Estados Unidos, a Otan e a Ucrânia alertaram sobre cerca de 100 mil soldados russos posicionados perto da fronteira com a Ucrânia e na península da Crimeia ocupada pela Rússia.
"Como os EUA reagiriam se instalássemos nossos mísseis na fronteira EUA-Canadá ou EUA-México? Eles nunca tiveram conflitos? De quem era a Califórnia? De quem era o Texas? Eles esqueceram?", indagou Putin, em mais uma crítica à intervenção dos EUA no conflito com a Ucrânia.
"Não estamos ameaçando ninguém, são eles que vieram para nossas fronteiras. Essa é a questão subjacente. Não é a Rússia que deve oferecer garantias, mas sim os EUA."
Putin também repetiu acusações anteriores contra a Ucrânia, afirmando que Kiev estaria preparando uma nova ofensiva militar nas regiões orientais do Leste europeu, onde a guerra já dura há mais de 7 anos.
Em comunicado divulgado nesta semana, o governo dos EUA, sob gestão Joe Biden, alertou os cidadãos do país para que não façam viagens à Ucrânia devido à intensa movimentação de tropas da Rússia na fronteira com o país do leste europeu.