Berlim - A Suprema Corte da Rússia ordenou nesta terça (28) que o grupo de direitos humanos Memorial International, conhecido por seu trabalho em expor abusos cometidos na era stalinista, fosse dissolvido. A decisão veio depois de um ano de intensa repressão à oposição no país, quando o ativista e blogueiro Alexei Navalni foi preso e muitos de seus aliados foram forçados a fugir.
No início de novembro, a promotoria russa pediu a dissolução do grupo, acusando-o de ter infringido "de maneira sistemática" as obrigações de sua condição de "agente estrangeiro". Moscou também argumenta que está aplicando leis para impedir o extremismo e proteger o país de influências estrangeiras.
Grupos de direitos humanos internacionais condenaram a decisão, enquanto John Sullivan, embaixador dos EUA na Rússia, a chamou de "uma tentativa trágica de suprimir a liberdade de expressão e apagar a história". Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha também chamou a determinação de "incompreensível" e disse que ela levanta grandes preocupações.
Com mais de três décadas de atuação, o Memorial International é o mais antigo grupo de direitos humanos do país e foi fundado por dissidentes soviéticos, incluindo o vencedor do Prêmio Nobel da Paz e físico nuclear Andrei Sakharov, que se dedicaram a preservar a memória dos milhões de russos que morreram ou foram perseguidos em campos de trabalhos forçados durante a era Stálin.