A prefeitura Suéllen Rosim (Patriota) confirmou que vai conceder à iniciativa privada o prédio da Estação Ferroviária, em entrevista ao podcast Entrevista, do Jornal da Cidade/JCNET, quando fez uma análise do desempenho de seu primeiro ano de governo. Na oportunidade, reconheceu que faltou muito a ser feito, mas considerou que a cidade avançou. Também anunciou outras decisões tomadas para 2022, como a recuperação financeira e não autarquização da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). O JC ressaltou alguns pontos, sendo que a entrevista completa está disponível site http://www.jcnet.com.br/.
PANDEMIA
Ao analisar o seu primeiro ano de mandato, a prefeita Suéllen disse que não imaginava o agravamento da pandemia em 2021. As decisões sobre a crise sanitária foram tomadas ao mesmo tempo em que começava a conhecer a máquina pública, disse. Mesmo assim, sua avaliação é de que houve um bom desempenho. "Encerro este ano com a sensação de que fizemos o máximo que poderíamos fazer".
Foram várias mudanças no primeiro escalão do governo municipal. Para a prefeita, decisões técnicas. "As trocas acabam acontecendo por perfil".
TRÂNSITO POLÍTICO
A relação política, aliás, foi uma de suas dificuldades. Suéllen se defende afirmando ser natural, em um primeiro ano de gestão, que forças políticas criem expectativas, especialmente em casos como o seu, cuja eleição esteve longe de ser unânime. O cenário definiu seu relacionamento com o Legislativo. "É natural que as pessoas tenham receio da Suéllen como prefeita. Vou ter sempre alguém que não vai concordar com atitudes que eu tenha como governo. Hoje, é mais fácil entender o perfil de cada um", garante. Um dos reflexos dessas dificuldades foi o total de Comissões Especiais de Inquérito (CEIs) instaladas na Câmara, mesmo número das criadas em todo governo anterior. Para ela, partiram de iniciativas políticas e não técnicas.
ORÇAMENTO
A previsão é de superávit para cuidar da cidade em 2022, mas a prefeita reluta em comemorar e diz que vai priorizar o básico, como cumprir os Termos de Ajustamento de Conduta que o governo possui com o Ministério Público, e cuidar da zeladoria da cidade. Uma das obras que ela não tem expectativa de concluir, e apenas começar, é a solução para as enchentes e inundações do Centro da cidade.
NÚCLEO DE CONCESSÕES
A prefeita defende o chamado Núcleo de Concessões e as decisões tomadas. É o caso da não autarquização da Emdurb e da concessão para a iniciativa privada do prédio da Estação Ferroviária. "Seriam mais de R$ 30 milhões na Estação, somente em um prédio administrativo. Não seria o melhor caminho". Sua equipe estuda agora, segundo ela, a melhor forma de apresentar a proposta de concessão à Câmara. Seja para criação de um mercadão, centro de compras, universidade, galeria empresarial ou espaço cultural.
Outras decisões, como a concessão do lixo, compra e venda de imóveis pela prefeitura também são defendidas pela gestora, segundo quem não faltará verba para reformar e construir escolas, apesar dos cerca de R$ 30 milhões que serão destinados à compra de imóveis com recursos da Educação.
DESAFIOS
A prefeita de Bauru ressaltou que 2022 será desafiador por ter que resolver as questões ligadas à Cohab. "Vai ser uma das nossas principais pautas em 2022. Para mim, ficou a parte mais difícil, então, a gente precisa tomar decisões importantes".
Sobre a Saúde continuar sendo a pauta da gestão, considera que, em Bauru, o grande desafio será resolver o problema crítico de falta de vagas de internação. Para isso, conta com a abertura do Hospital das Clínicas, mas também aposta na implementação de testes de modelos de gestão das UPAs, como a chamada 'porta fechada'.
BANDEIRAS
O fato de ser a primeira mulher eleita prefeita em Bauru e de ser negra, não levam a prefeita a levantar bandeiras. Para ela, ações são tão necessárias quanto posturas. Porém, admite ser cobrada em dobro por sua condição. "Todos os dias eu tenho que provar duas, três ou quatro vezes que a decisão foi minha. Muitas vezes, eu sou questionada por coisas que os homens jamais seriam. Sou mulher, sou negra, espero que tenhamos outras prefeitas e provar que mulher sabe governar".
Sobre a possibilidade de candidatura de sua mãe, Lúcia Rosim, diz que esta não é uma pauta para o momento, mas não descarta a possibilidade e defende as ações de sua mãe à frente do Fundo Social de Solidariedade. "Se fosse um desejo da minha mãe (de ser candidata), ela poderia, porque já têm pré-candidatos que recebem recursos do município pelo cargo que ocupam e são pré-candidatos", reitera.