O rouxinol, dizem, contra espinhos
perfurantes,
lança o peito, sabendo que, através
da dor que sente,
produzirá o mais belo canto, entre
os alados cantantes,
e o seu mavioso trinar, a assertiva
não desmente.
Curiosa situação, essa, pelo
pássaro, vivida.
E, para nós, humanos, fica a
indagação: seria mesmo,
necessária, extrema medida
para obter o resultado da ação?
Conjecturo: o pássaro, o homem e,
da natureza, o devastar…
enquanto ao primeiro, importa,
do canto, a beleza, não o
sofrimento, a outro,
egoisticamente, interessa
apenas o poder, o enricar.
Se o rouxinol, ao gorjeio, palavras
acrescentasse,
através delas, talvez dissesse, em
desalento: como seria bom se
o homem, como
eu pensasse.