Cultura

Tom Zé cria canções para peça, que compõem seu novo disco

Estadão Conteúdo
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Era início de 2020 e Tom Zé havia criado uma canção especialmente para o novo espetáculo do diretor Felipe Hirsch, "Língua Brasileira", que estrearia em março daquele ano. Veio a pandemia, porém, e os planos foram adiados. Mesmo isolados, Tom Zé e Hirsch cultivaram uma frenética troca de mensagens, que resultou em outras nove canções inéditas e um novo rumo para o espetáculo, que finalmente estreou na quinta (6), no Teatro Anchieta, no Sesc Consolação.

"Agora temos uma peça muito diferente daquela que estrearia em 2020", conta Hirsch que, à frente do coletivo Ultralíricos, decidiu enfrentar um desafio: desbravar a epopeia dos povos que formaram a língua falada no Brasil, com seus mitos e cosmogonias, desde as remotas origens ibéricas, passando por celtas, romanos, bárbaros e árabes, pela África e América Nativa até chegar aos dias de hoje. .

Uma viagem linguística, que teve a música de Tom Zé como timoneira e uma ampla pesquisa como embasamento. Em cena, os atores Amanda Lyra, Danilo Grangheia, Georgette Fadel, Laís Lacôrte, Pascoal da Conceição e Rodrigo Bolzan cantam e declamam os versos criados por Tom Zé, cuja criatividade oferece belas expressões como "cavalgo nas palavras" ou "uma ilha sem fuzil / sem ba ba ba bala civil", presente em Hy Brazil. "Foi um período tão efervescente de ideias que confesso ter pouco notado a presença da pandemia na minha rotina", comenta ele, aos 85 anos.

Seu processo criativo, de fato, não é limitado por barreiras. Uma das canções mais instigantes, Língua Prova Que, é definida por Hirsch como uma espécie de opereta pois, em seus dez minutos, traz versos elaborados com cuidado formal, mas embalados por ritmos diversos, cujas mudanças são repentinas. .

Tom Zé conta que ali tornou a investir em uma narrativa. Tão logo criava uma nova canção, Tom Zé enviava um demo ao encenador, que compartilhava com Maria Beraldo, diretora musical responsável pela adequação ao espetáculo. Não foi uma tarefa fácil. "A música de Tom Zé é muito viva, formada por um material muito rico", conta ela. "Ele é fiel à antropofagia artística, ou seja, utiliza material que o inspira e transforma em algo novo."

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