O esporte levantou a sua vida. Dyogo Costa, 38 anos, de Bauru, comemora atualmente os bons resultados obtidos no seu início na modalidade de powerlifting, com um sexto lugar em Campeonato Brasileiro de levantamento de peso (modalidade terra), dentre 100 concorrentes mais experientes de todo o País.
O que está por trás da medalha e dos 180 quilos que consegue levantar hoje é que há menos de um ano ele estava em uma cadeira de rodas, sem ter forças para ficar de pé e andar, com dificuldades na fala e outras sequelas de quando sofreu o que os médicos chamaram de surto da esclerose múltipla. E a superação, essa sim, é a maior conquista da sua vida.
Segundo Dyogo, em junho de 2021 ele desmaiou e, quando retomou a consciência, não sentia os movimentos da cintura para baixo e tinha dificuldade de fala. Acordou no hospital, com fralda e tentando entender o que tinha acontecido. No primeiro momento, os médicos disseram que ele havia sofrido um possível Acidente Vascular Cerebral (AVC).
No entanto, depois de vários exames, foi diagnosticado com a esclerose, uma doença autoimune. O sistema imunológico ataca a camada protetora que envolve os neurônios, chamada mielina, e atrapalha o envio dos comandos do cérebro para o resto do corpo.
"Fiquei internado por uma semana, usei cadeira de rodas, fiz fisioterapia, passei para as muletas e só depois a bengala. Foi um período difícil, de vergonha, até voltar a andar. Retomei a caminhada após um mês. Eu já sou diabético (tipo 2) e cheguei a perder a esperança de voltar a andar. Porque quando você recebe um diagnóstico desse, é o fim do mundo. Para mim, foi", declara
"Mas quando retomei a força para andar, vi no esporte de levantamento de peso a oportunidade de me motivar. E gostei. Nesse período difícil contei com apoio de familiares, mas a minha esposa, Renata Costa, foi a minha fortaleza. Apoiou-me em tudo. Foi a única pessoa que esteve o tempo todo do meu lado, me incentivando. Ela nunca duvidou da minha coragem de lutar", recorda Dyogo.
Ele acrescenta que atualmente está conseguindo manter uma qualidade de vida com os medicamentos, dietas e treino. "O esporte devolveu o sentido da minha vida e me trouxe coisas que eu nunca imaginei, tanto o medo, quanto uma nova oportunidade. O powerlifting não me faz mal, ativa a concentração, fortalece os músculos, melhora muito os desconfortos e a fadiga", detalha o atleta.
O agora único competidor federado e confederado de powerlifting de Bauru, na modalidade olímpica mesmo, e não paralímpica, foi convidado pela federação deste esporte para participar de outros campeonatos nacionais e estaduais. Em junho, ele disputará o Campeonato Paulista de Powerlifting.
"Já ganhei um campeonato interno em Bauru e, agora, treino 15 horas na semana, com meu treinador Éric Oishi, para buscar o meu primeiro título estadual e melhorar minha posição no Nacional. Parece pouco meu sexto lugar recente, mas para quem mal conseguia andar há menos de um ano, me sinto campeão. Até porque disputei com atletas que treinam há seis ou 10 anos. E eu lá no meio deles, com esclerose múltipla, diabetes e com quatro meses de treino. Estou feliz pelo desafio e desejo que minha história inspire outras pessoas que passam dificuldade", finaliza Dyogo Costa.