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Bauru tem 30.050 crianças aptas a receber a vacina contra Covid-19

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Em Bauru, 30.050 crianças, de 5 a 11 anos, estão aptas a receber a vacina contra a Covid-19. A informação é da Secretaria Municipal de Saúde, que atua na elaboração de um plano operacional para receber este novo público contemplado pela imunização em todo o País. O Estado de São Paulo ainda aguarda o Ministério da Saúde enviar os imunizantes pediátricos da Pfizer que serão utilizados na campanha, que, por enquanto, segue sem data definida para começar em Bauru.

Nesta quarta-feira (12), o governo estadual disponibilizou no site "Vacina Já" (http://www.vacinaja.sp.gov.br/) a possibilidade de pré-cadastro para a imunização do público infantil. O serviço é opcional e não se trata de um agendamento, mas agiliza o atendimento nos locais de vacinação, evitando filas e aglomerações (leia mais na página 15).

Médico infectologista em Bauru, Marcelo Pesce classifica a vacina como segura e eficaz e recomenda que as polêmicas sejam deixadas de lado para que as crianças sejam levadas, o quanto antes, para a imunização. "Uma vez que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou tecnicamente a vacinação e o Ministério da Saúde colocou no Programa Nacional de Imunizações, não sei por qual motivo as pessoas ainda questionam. A ômicron tem grau de contagiosidade muito alto. A vacina pode não proteger totalmente da infecção, mas protege bem contra casos graves, inclusive as crianças", aponta.

'CINTO DE SEGURANÇA'

Ele considera que os riscos de não imunizar superam em muito alguns possíveis efeitos da vacina e faz uma analogia para auxiliar a compreensão. "Risco a gente tem sempre, com qualquer atitude na vida. Podemos morrer ou ficar gravemente feridos mesmo usando cinto de segurança de um carro? Sim. Mas, alguém, em sã consciência, é capaz de colocar um filho no automóvel sem cinto de segurança?", questiona Pesce.

O infectologista explica ainda que a possibilidade de complicação existe basicamente para pessoas consideradas muito imunodeficientes, como os transplantados, os cirróticos e os renais crônicos.

"Eventos como uma inflamação e uma miocardite, por exemplo, podem ocorrer, mas têm uma proporção ínfima. O número de crianças adoecendo pela Covid-19 é muito superior. Outras vacinas, como a de febre amarela, por exemplo, também oferecem alguns riscos, mas a gente não deixa de vacinar as crianças por isso. E olha que a febre amarela é uma doença que mata menos do que a Covid, porque a incidência dela é muito menor", compara Pesce, alertando que o mundo todo tem vacinado as crianças.

"Somos mais espertos ou melhores que os americanos, canadenses, franceses, japoneses ou alemães? Não. As vacinas foram aprovadas mediante estudos no mundo todo. São companhias enormes e é claro que elas têm seus interesses, mas, se houvesse algo ruim na vacina, esse pessoal teria que arcar com um número enorme de indenizações. Não faz sentido", fecha questão Pesce.

Em Bauru, quase 2 mil crianças foram infectadas pela Covid-19 durante a pandemia, segundo a Saúde municipal. Em alguns casos, houve internação, especialmente dos pequenos com algum tipo de comorbidade.

Entre as crianças que enfrentaram quadro grave, está um bebê de apenas 8 meses, também com comorbidades, que acabou morrendo por causa da doença, em abril do ano passado.

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