Nesta segunda-feira (24), Gabriel Medina anunciou que não vai disputar as primeiras etapas do Mundial de surfe. O atual campeão do torneio fez uma publicação nas redes sociais em que explica a decisão, ressaltando que ao final da temporada passada estava "completamente esgotado", que chegou "no limite" e que pretende se recuperar "mental e fisicamente". Assim, o tricampeão mundial decidiu não viajar para o Havaí, onde ocorrerão as duas primeiras etapas da temporada 2022 da WSL (World Surf League) a partir de sábado (29). A entidade está ciente da desistência.
"2021 foi um ano incrível pra mim, conquistei meu maior sonho como surfista que era me tornar tricampeão mundial. Era uma parada intocável pra mim. No ano passado, vivi uma montanha russa de emoções dentro e fora da água, o que afetou muito minha saúde mental e física. Ao final da temporada, eu estava completamente esgotado. Cheguei no meu limite", postou.
"Tomei minha vacina durante as férias e achei que ia conseguir me preparar a tempo para a primeira etapa da nova temporada, que começa em um dos meus picos favoritos no mundo, Pipe. Não foi o caso. Decidi que não viajarei para o Hawaii e vou tirar um tempo para que eu possa me recuperar mental e fisicamente. Estou com uma leve lesão no quadril que venho tratando desde o final do ano passado", escreveu o surfista.
Sem o atual campeão, o Circuito Mundial começará na tradicional onda de Pipeline. Logo na sequência, a partir de 11 de fevereiro, terá a segunda etapa em Sunset Beach. A terceira parada será em Peniche (Portugal), com início previsto para 13 de março.
Em 2021, Medina teve um desempenho fora de série na WSL e chegou ao seu terceiro título mundial. Vencedor também em 2014 e 2018, ele entrou em um restrito grupo de tricampeões e ficou atrás apenas do estadunidense Kelly Slater, que soma 11 títulos, e do australiano Mark Richards, pentacampeão.
Mas no último ano o brasileiro também esteve envolvido em tantas controvérsias que chegou a ficar em segundo plano seu excepcional desempenho no mar.
O campeonato foi o primeiro que o atleta de São Sebastião disputou longe de Charles Saldanha, o padrasto que sempre chamou de pai. O casamento com a modelo Yasmin Brunet não foi bem recebido pela família do surfista, e o então bicampeão resolveu trocar a presença constante de Charles pelos conselhos do renomado treinador australiano Andy King.
Por restrições ligadas à pandemia do novo coronavírus, ficou acertado que cada surfista só poderia levar uma pessoa aos Jogos Olímpicos de Tóquio. Gabriel bateu o pé na tentativa de que Yasmin fosse sua acompanhante, porém teve de viajar sem a mulher após uma negociação desgastante em que acabou derrotado.
No Japão, o brasileiro conseguiu ótimas ondas e avançou às semifinais do primeiro torneio olímpico do surfe na história, mas foi derrotado pelo japonês Kanoa Igarashi. Na disputa pelo bronze, perdeu de novo e discordou das notas aplicadas pelos árbitros.
Terminados os Jogos, nova controvérsia. Medina anunciou que não competiria na etapa do Taiti do Mundial porque não tinha se vacinado contra a Covid-19. Posteriormente, o atleta reconheceu que errou, defendeu a vacinação e disse que buscaria se imunizar.