Em assembleia realizada na noite desta quinta-feira (27), na quadra da sede do Sindicato dos Bancários de Bauru, os servidores municipais rejeitaram a proposta de reajuste de 10,06% feita pela prefeita Suéllen Rosim. Na plenária, que contou com a participação de aproximadamente 200 trabalhadores, eles ainda aprovaram, também por maioria de votos, uma contraproposta de 15%. A pauta com esta e outras reivindicações da categoria será entregue pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) ao Executivo em reunião marcada para o dia 2 de fevereiro, no Gabinete.
Além dos 15%, referentes ao reajuste inflacionário e reposição de alíquotas, os servidores pedem que o vale-compras passe de R$ 500,00 para R$ 750,00, equiparando-se ao dos servidores da Câmara Municipal. E que o abono que também é concedido aos inativos (antigo vale-refeição) passe dos atuais R$ 374,00 para R$ 500,00.
A proposta a ser entregue ao Executivo inclui ainda um pedido para que os tetos do abono e vale-transporte sejam corrigidos no índice do reajuste salarial, de 15%. O objetivo é garantir que os servidores que já recebem os benefícios não sofram perdas.
Apesar de a data-base da categoria ser 1 de março, os valores, segundo a contraproposta do Sinserm, deverão ser retroativos ao mês de janeiro. O documento a ser elaborado deve incluir também cerca de 70 cláusulas sociais, de previdência e insalubridade, que serão analisadas pelo Executivo.
Caso as reivindicações não sejam aceitas pela prefeitura, a entidade deve realizar outra assembleia e não descarta possibilidade de greve.
'JUSTO'
Diretora do Sinserm, Melissa Lamonica informa que o dissídio deve impactar na vida de aproximadamente 7 mil servidores, entre ativos (4 mil) e inativos (3 mil).
"Para uma primeira plenária, tivemos recorde de participações. Havíamos proposto 20% de reajuste inicialmente na assembleia, mas a maioria decidiu por 15%, por consenso. É um valor razoável e equiparado ao reajuste que os servidores da Câmara Municipal tiveram", comenta Lamonica. "A proposta da prefeita, de 10,06%, deixaria a classe C1, que é a com menor salário no funcionalismo municipal, com ganhos abaixo do salário mínimo. Se ela reconhece a necessidade de antecipar a revisão para o bem da categoria e sabe das dificuldades, nada mais justo do que um aumento que seja minimamente digno", completa a diretora do Sinserm.
PROJETO DE LEI
Conforme o JC noticiou, o projeto de lei (PL) prevendo a revisão dos vencimentos dos servidores foi protocolado pelo Executivo na Câmara sem que houvesse a discussão com o sindicato da categoria. A situação, inclusive, gerou críticas por parte do Sinserm, que classificou a atitude como um desrespeito inédito à entidade sindical.
Além dos 10,06% de reajuste, o projeto proposto por Suéllen Rosim previa correção de 15% no vale-compras, que passaria de R$ 500,00 para R$ 625,00. No documento, constaria ainda a correção do abono, dos atuais R$ 374,00 para R$ 411,62, pago aos servidores com renda de até R$ 3.069,32. As correções em questão, segundo a prefeitura, impactariam os cofres em R$ 94 milhões.
Em uma sessão extraordinária neste início de 2022, o PL foi tirado de pauta, após a vereadora Estela Almagro (PT), oposição ao governo na Câmara, pedir prazo regimental. A expectativa é de que, agora, após as discussões entre sindicato e Executivo, o texto volte a ser discutido na primeira quinzena de fevereiro.