Brasília - Ao comentar sobre as negociações do Brasil para a aquisição do Pantsir (sistema russo de mísseis antiaéreos), que se desenrolam desde 2013, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou que o governo brasileiro não é um comprador "de material bélico russo" devido à parceria para aquisição de armamento norte-americano por meio da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
A última aquisição do tipo foi de helicópteros russos, feita pelo então ministro da Defesa, Nelson Jobim, nos governos do PT.
"Na América Latina são poucos os países que [compram material bélico russo], Venezuela e Peru, talvez. Mas a razão principal é a condição do Brasil de parceiro preferencial extra-Otan. Sinceramente, acho difícil. Não vejo nenhuma simpatia dos meios militares brasileiros a qualquer acordo nesse sentido", afirmou o general da reserva do Exército brasileiro, em entrevista ao Valor Econômico.
A declaração foi dada às vésperas da visita do presidente Jair Bolsonaro à Rússia na próxima semana. Ser um aliado extra-Otan possibilita o acesso à indústria de defesa dos EUA, a realização de exercícios e treinamento conjuntos, além de acesso especial a financiamento para equipamentos militares.
Na avaliação de Mourão, a confirmação da viagem num momento em que se aprofundam os conflitos entre Rússia, Ucrânia e países do Ocidente, não deve provocar mal-estar nas relações do Brasil com os Estados-membros da Otan, como os EUA.
COMBUSTÍVEIS:
RISCO NA EUROPA
O secretário de Estado norte-americano, Anthony Blinken, disse ontem que os EUA e seus aliados na Europa estão agindo "em unidade" em resposta aos avanços da Rússia para possível conflito com a Ucrânia.
O Brasil ainda não foi consultado sobre possível fornecimento para o bloco europeu. "De fato, 47% do gás consumido na Europa é russo. Os Estados Unidos estão aumentando o gás exportado para a Europa, mas difícil que o Brasil seja requisitado a entrar nisso", disse.