O número de pacientes com síndromes gripais caiu pela metade nesta última semana em Bauru, com redução também acentuada, mas em menor proporção, dos casos de Covid-19. Segundo dados do Departamento de Saúde Coletiva do município, a semana de 23 a 29 de janeiro contabilizou 10.929 pessoas diagnosticadas com síndrome gripal, sendo que, na semana seguinte, de 30 de janeiro a 5 de fevereiro, o montante caiu para 4.971 registros, uma queda de 54,5%.
O contingente inclui moradores de Bauru diagnosticados com Influenza, Covid-19 e Rinovírus (resfriado comum). Do total, 3.802 testaram positivo para o novo coronavírus entre 23 e 29 de janeiro e 2.528 na semana posterior, uma redução de 33,5% no número de casos notificados da doença.
Apesar de as estatísticas continuarem em patamar elevado, a expectativa é de que o nível de infecção siga caindo em ritmo acelerado, a exemplo do que ocorreu, em meses passados, em países afetados primeiro pela onda provocada pela variante ômicron. Porém, já com esta queda significativa de casos na última semana, a Secretaria Municipal de Saúde pôde encerrar o atendimento de pacientes com síndrome respiratória na UPA da Bela Vista (leia mais abaixo).
Diretor do Departamento de Saúde Coletiva do município, Ezequiel Santos relembra que os casos de síndrome gripal, incluindo Covid-19, começaram a aumentar no início de janeiro deste ano, atingindo seu pico de modo bastante rápido, na semana de 23 a 29 do mesmo mês.
"Da mesma forma, na semana seguinte, o número de pacientes procurando as unidades de saúde da cidade com síndrome gripal foi bem menor, assim como a quantidade de pessoas que testaram positivo para a Covid-19", pontua. A mesma realidade é verificada na rede privada de Bauru, conforme informaram os hospitais São Francisco, Beneficência Portuguesa e Unimed.
"Os dados estão mostrando que a transmissibilidade do vírus, com a variante ômicron, está perdendo força. Isso ocorre devido ao grande número de pessoas que foram infectadas desde o início do ano e também pela boa cobertura vacinal contra a doença", acrescenta Santos.
NOVA VARIANTE
O diretor reforça, contudo, que protocolos sanitários como uso de máscara, distanciamento mínimo entre as pessoas e higienização das mãos não podem ser abandonados, até porque uma subvariante da ômicron, a BA.2., já começou a circular no Estado de São Paulo. Também por este motivo, a atualização do esquema vacinal com as três doses disponíveis ainda é uma das principais recomendações para reduzir as chances de infecção ou de manifestação grave da doença.
Até o momento, a rápida disseminação do novo subtipo em outros países sugere que ele pode ser ainda mais contagioso do que a primeira variante ômicron. Porém, ainda não há evidências sólidas de que ele tenha potencial para provocar uma forma menos ou mais grave da doença.
LEVA ALGUNS DIAS...
Ezequiel Santos explica que os números que apontam para a queda de casos de Covid-19 em Bauru têm como referência a data dos resultados dos exames, que dão um panorama mais próximo da realidade atual na comparação com os boletins epidemiológicos da prefeitura. Isso ocorre porque o processamento destes resultados de testes em toda a rede pública e privada de saúde pode levar alguns dias até se transformarem em estatística divulgada ao público.
Assim, a expectativa é de que, ainda nesta semana, já seja possível visualizar a redução do número de casos também nos boletins, com projeção de uma média de notificações menor do que a da semana que passou. "E, dentro de 10 a 15 dias, a quantidade de mortes também deve começar a cair, considerando o tempo de internação dos pacientes que evoluem para a forma grave da doença. A maioria das pessoas que está em UTI agora foi infectada ainda durante o pico desta nova onda", esclarece.