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Mais tempo nas telas não levou a vocabulário menor

Giulia Vidale
| Tempo de leitura: 2 min

Dois novos estudos confirmaram o que muitos pais e especialistas já suspeitavam: as crianças, mesmo as pequenas, passaram mais tempo em frente às telas durante a pandemia. Por outro lado, os estudos também revelaram que isso não impactou seu desenvolvimento linguístico. Inclusive, houve ganho de vocabulário nesse período. Mas, neste caso, o mérito não parece ser das telas, e sim de outras atividades realizadas entre pais e filhos, especialmente a leitura.

“Embora isso sugira que um isolamento relativamente curto não afetou negativamente a linguagem em crianças pequenas, devemos ser cautelosos ao assumir que isso se aplicaria em tempos normais ou em confinamentos mais longos, dadas as circunstâncias extraordinárias que as crianças e seus pais enfrentaram durante esse período”, diz a professora Natalia Kartushina, da Universidade de Oslo, na Noruega, co-autora de um dos estudos. Outra pesquisa, feita pela Universidade de Göttingen com o Instituto Max Planck de Psicolinguística em Nijmegen, ambos na Alemanham, e a Universidade de Ciências Aplicadas e Artes da Suíça Ocidental, analisou o aumento do tempo de tela durante o isolamento e seu impacto no desenvolvimento da linguagem.

Os resultados mostraram que, nesse período, as crianças pequenas passaram mais tempo em frente às telas do que costumavam fazer anteriormente. Na Espanha, por exemplo, duas em cada três crianças com menos de 2 anos usaram smartphones e tablets diariamente no isolamento. Por outro lado, seu vocabulário aumentou mais do que o esperado para esse período, em comparação com os níveis pré-pandemia de Covid-19.

CONTEÚDO DE QUALIDADE

Os cientistas dizem que os pais não devem se sentir culpados se tiveram que recorrer a dispositivos com mais frequência durante esse período. Além disso, o tempo de tela não é necessariamente negativo se não for apenas uma atividade passiva. Por exemplo, se as crianças estiverem consumindo um conteúdo de “alta qualidade” junto com um adulto que conversa e interage com elas, isso pode ser mais benéfico do que ela ficar sozinha na sala ou no quarto assistindo ao desenho animado.

PAIS NÃO DEVEM SE CULPAR

O mérito para o ganho de vocabulário não foi creditado às telas e sim à leitura. As crianças com maior exposição às telas aprenderam menos palavras do que seus pares com menos tempo de tela. Aquelas com maior ganho foram as que os pais tinham costume de ler para elas com mais frequência. Os pesquisadores atribuem o aumento do tempo de tela às circunstâncias inéditas nas quais as famílias se encontraram durante a pandemia, incluindo o fechamento de creches, por exemplo. “Reuniões no trabalho ou tarefas que exigem concentração, junto com uma criança pequena que precisa de entretenimento... Todos nós fizemos isso durante o confinamento”, diz a professora Nivedita Mani, da Universidade de Göttingen.

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