Depois da explosão de casos de Covid-19 registrada neste início de ano em Bauru, o mês de março começou com queda acentuada no volume de infecções pela doença, que deve se consolidar ao longo das próximas semanas. Conforme levantamento elaborado pelo JC com base nos boletins epidemiológicos divulgados pela prefeitura, a semana que passou teve a menor média de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus desde maio de 2020, quando a pandemia ainda estava no começo.
De lá para cá, passaram-se 22 meses. A média móvel de 28 de fevereiro a 6 de março foi de apenas 4,14 casos diários, índice inferior a praticamente todos os registros semanais ao longo da crise sanitária. A última vez em que a média havia sido menor do que esta foi na semana de 20 a 26 de abril de 2020, que contabilizou 3,71 casos por dia.
Da mesma forma, o volume de mortes - que, felizmente, não chegou a aumentar na mesma proporção que a quantidade de casos neste início de 2022 - também segue em queda no município. Nas últimas duas semanas, a média foi de 1,14 óbito por dia, o menor índice desde a segunda quinzena de janeiro deste ano.
ALÍVIO
As estatísticas - que tendem a permanecer em níveis baixos - trazem alívio após a cidade registrar recordes de contaminações pelo novo coronavírus. Em janeiro deste ano, foram contabilizados 8.468 casos e, em fevereiro, houve outros 12.868 registros, que correspondem aos maiores números mensais de toda a pandemia.
O pico, que gerou sobrecarga nos pronto atendimentos das unidades de saúde públicas e privadas de Bauru, foi provocado pela circulação da variante ômicron na cidade. Trata-se de uma cepa de elevada transmissibilidade, mas que - inclusive em razão da cobertura vacinal alcançada até agora - não provocou índice de óbitos na mesma proporção.
EM QUEDA
Assim como ocorreu em outros países, a onda desencadeada por esta cepa perdeu força em poucas semanas. E, segundo especialistas, embora não seja possível prever o impacto de eventuais mutações do novo coronavírus, a queda dos níveis de infecção, o avanço da vacinação e o não surgimento de nenhuma nova variante de preocupação até o momento ajudam a corroborar a crença de que o número de casos, internações e óbitos continuará diminuindo ao longo dos próximos meses.
Em matéria publicada pelo JC no último domingo, inclusive, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alexandre Naime Barbosa, que é professor doutor em Infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, avaliou que 2022 deverá ser o ano derradeiro da pandemia no mundo.
Foi a análise destas tendências de um melhor cenário epidemiológico, feita por inúmeros pesquisadores ao redor do globo, que trouxe alguma segurança para a Prefeitura do Rio de Janeiro decretar, nesta segunda-feira (7), o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras faciais. A cidade é a primeira capital do País a adotar a medida. Nesta quarta-feira (9), há expectativa para que o governador do Estado de São Paulo, João Doria faça anúncio semelhante, liberando o uso da proteção ao menos em ambientes ao ar livre (leia mais na página ao lado).