Internacional

Rússia é acusada de bombardear hospital infantil no sul da Ucrânia

FolhaPress
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Kiev - A Ucrânia acusou a Rússia de bombardear nesta quarta (9) uma maternidade e hospital infantil em Mariupol, porto no sul do país que está sob cerco, durante o cessar-fogo acertado entre os dois lados para permitir a saída de civis da cidade.

Segundo o governo local, 17 mulheres e crianças ficaram feridas no ataque. As imagens disponíveis sugerem que a área ao lado do prédio foi atingida ou por artilharia, ou por aviões. Mulheres grávidas foram removidas no meio do entulho fumegante do lado de fora do edifício, gerando imagens emblemáticas do drama da guerra.

O incidente foi imediatamente usado por Kiev em sua campanha em favor da instauração de uma zona de exclusão aérea sobre o país. A Otan (aliança militar ocidental) se recusa a fazê-lo, porque isso significaria decretar guerra aos russos, que já têm relativa dominância dos céus ucranianos.

"A destruição é colossal. Ataque direto de tropas russas à maternidade. Pessoas, crianças estão sob os escombros", tuitou o presidente Volodimir Zelenski, embora as imagens até aqui disponíveis não indicassem essa condição das vítimas.

MORTOS

A Ucrânia diz que 1.170 dos mais de 400 mil habitantes de Mairupol antes da guerra já morreram após a invasão. Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, voltou a dizer que as forças russas não miram alvos civis nesta campanha. O Ministério da Defesa atualizou alguns números sobre o que diz ter destruído no país vizinho: 90% das pistas de pouso com uso militar, 974 tanques e blindados, 97 drones. Como em toda guerra ativa, não há como checar a acurácia dessas informações, ou daquelas divulgadas em Kiev.

LIGAÇÃO COM DONBASS

Mariupol é um ponto central da frente sul da guerra de Vladimir Putin. É o último bastião a resistir contra os russos naquilo que se estabelece como uma área ligando o Donbass, o leste separatistas étnico russo da Ucrânia, à península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

Se cair, Moscou assume controle militar da região, o que naturalmente não significa que a administre e com facilidade. Ao contrário, no porto de Kherson, mais a leste, a cidade tomada vive protestos diários contra os invasores.

LIZ TRUSS EM WASHINGTON

A ministra das relações exteriores do Reino Unido, Liz Truss, afirmou que os países do Ocidente não gastaram o suficiente com a defesa nos últimos anos, mas viram o crescimento das capacidades militares da Rússia. Ela estava nesta quarta(9) em Washington, ao lado do secretário de estado americano, Anthony Blinken, em uma coletiva de imprensa. Ambos criticaram as ações russas contra civis.

"Nós recebemos com prazer o anúncio da Alemanha de que vai aumentar os seus gastos [com defesa] e outros países também. Precisamos também aumentar a circulação de informações entre nós. Os Estados Unidos e o Reino Unido têm feito isso, têm compartilhado informações e inteligência. O Reino Unido abandonou suas unidades de informação no final da Guerra Fria. A Rússia não fez isso. Precisamos pensar numa defesa conjunta, em práticas de defesa, informações, para que possamos competir com os russos, estar à frente deles", afirmou a chanceler.

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