Os povos eslavos têm origem indo-europeia e habitam a região central e oriental da Europa e penínsulas escandinava e balcânica há mais de cinco mil anos. Seus descendentes são os sérvios, os tchecos, os russos e bielo-russos, os polacos, os croatas, os búlgaros, os ucranianos, os macedônios, os eslovenos e eslovacos e os lusácios (alemães da Saxônia e Brandemburgo e sérvios da Lusácia).
A identificação étnica, da língua e cultura, agrega em si os elementos que possibilitariam que todos vivessem em harmonia em um único país. Aliás, foi isto que estudos arqueológicos indicam sobre os povos eslavos, com o primeiro estado eslavo sendo a Rus Kyivana, cuja capital era Kyiv. Isto mesmo, a cidade que hoje conhecemos como Kiev, capital da Ucrânia. Mas, obviamente, isto é uma utopia, face aos interesses geopolíticos que comandam a humanidade e levam a guerras como da Rússia e Ucrânia.
Para se ter uma ideia, embora Ucrânia e Rússia possuam o mesmo alfabeto; o Cirílico (Kulisshivka), a própria pronúncia do nome da capital ucraniana passou a ser ponto de polêmica em 2018, de um lado com a campanha "#KyivNotKiev", pelo governo ucraniano, enquanto a Rússia defendia a denominação "Kiev", talvez até pela irracional ideia de não admitir que a Rússia e demais países de povos eslavos tiveram origem na Ucrânia.
Camuflando interesses econômicos em potencial conflitos, nos últimos anos os políticos da "idiocracia" (parafraseando aqui o filme de 2006 que abordou o paulatino emburrecimento da sociedade) entenderam que era o momento de voltar a guerra fria vivida de 1947 a 1991 entre países do bloco ocidental e oriental. O resultado não poderia ser pior, dentre os idiotas que insistem neste enredo superado de conflitos entre ideologias que ninguém sequer mais sabe definir (comunismo, liberalismo, socialismo…), eis que surge dentre os idiotas Vladimir Vladimirovitch Putin, em seus 1,65 cm de altura e pura maldade e brutalidade, desencadeando a terrível guerra com a Ucrânia.
Não há ódio entre o povo ucraniano e russo, nem sequer entre os militares dos dois países, sujeitos a ordens da idiocracia. Não trata-se de uma guerra étnica, religiosa, o único motivo é a polarização de um grupo de idiotas que não souberam exercer no momento correto uma política pacifista, vez que guiados por interesses estratégicos de bases militares e midiáticos. Na semana da mulher, oportuno questionar aqui: qual o cenário que estaríamos hoje com a presença nas negociações de Angela Dorothea Merkel, que sempre soube colocar o barulhento Putin em seu devido lugar…
O autor é advogado.