As principais deliberações da audiência pública realizada nesta quarta-feira (16), na Câmara de Bauru, que debateu a continuidade da vinculação do Hospital de Reabilitação Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, à Universidade de São Paulo (USP) foram o envio de uma representação ao Ministério Público da Cidadania e Patrimônio Público com pedido de acesso às prestações de contas do Centrinho nos dois últimos anos, a divulgação de uma carta aberta e uma petição, que serão endereçadas ao Conselho Universitário da USP para que inclua, na pauta da sua próxima reunião, a reivindicação de que o hospital continue vinculado à universidade. A reunião do conselho está prevista para a próxima semana. Também deve ser definida uma manifestação em frente à sede da Reitoria para marcar a insatisfação com a mudança de gestão.
A audiência pública foi pedida pela vereadora Estela Almagro (PT) e embora tenham sido convidados, não participaram o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior; o superintendente do Centrinho, Carlos Ferreira dos Santos; o secretário-executivo da Secretaria de Estado da Saúde, Eduardo Ribeiro Adriano, e o secretário de Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn.
Porém, o debate teve uma grande participação popular de pais, pacientes e ex-pacientes do hospital, de vereadores e ainda o envolvimento de professores e entidades sindicais, como do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp), e do Conselho Estadual de Saúde.
SEM CONTATO
A docente da FOB-USP Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, que liderou tratativas internas para criação do curso de medicina em Bauru, enviou uma mensagem, na parte final do encontro, justificando sua ausência e alegando que desde 2018, quando assumiu a pró-reitoria de Cultura e Extensão da USP, não participou mais das tratativas ligadas a este tema. Ela foi criticada durante a audiência por sua atuação anterior a 2018, na época da aprovação do curso de medicina. Uma das condições impostas pelo Conselho Universitário da USP, em 2017, para criar o curso era a transferência do Centrinho para gestão futura do Estado, que será feita através de uma OS.
A prefeita Suéllen Rosim (Patriota), que estava em viagem a São Paulo, nesta quarta (16), inicialmente chegou a confirmar sua participação, por meio de seu chefe de Gabinete, Rafael Lima, porém, não foi possível nem contato virtual durante o encontro.
O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) foi um dos primeiros a se posicionar a respeito do questionamento quanto à nova gestão do Centrinho. Ele lembrou da aprovação pelo Conselho Universitário da desvinculação do Centrinho, criticou a possibilidade de que o hospital seja gestado por uma Organização Social (OS) e defendeu que o processo seja revisto. "Estamos preocupados com a entrega para uma OS. E temos que fazer a defesa dos servidores do Centrinho. Vamos acionar o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado (TCE/SP)", afirmou.
ACOLHIDOS
O diretor do Sintusp, Reinaldo Santos de Souza, afirmou que manter a gestão vinculada à USP é uma reivindicação dos funcionários. "Se o Centrinho é um orgulho para a USP, por que manter a desvinculação?", questionou.
Um dos momentos que chamou a atenção dos participantes foi o depoimento da adolescente Maryana Sobral, de 12 anos, que é paciente do Centrinho desde os sete meses, e estava acompanhada de sua mãe, Andréa Sobral de Azevedo Silva, que enalteceu a qualidade do atendimento oferecido pelo HRAC a todos os pacientes e pontuou as mudanças ocorridas ao longo dos anos. "O hospital era diferente, a gente era realmente acolhido ali. Com o passar do tempo, muita coisa mudou. Estou aqui para pedir que o Centrinho possa continuar", exclamou.
A ouvidora do Centrinho, Maria Irene Bachega, defendeu que haja transparência no processo de mudança. "As pessoas perguntam e a gente fica sem respostas, e tudo o que foi dito não nos convenceu e nós precisamos, de fato, entender o que está acontecendo", considerou.
FOLHA
O também membro do Sintusp Claudionor Brandão questionou as razões que levaram à desvinculação, considerando que a Reitoria chegou a manifestar pela retirada da proposta, segundo ele, em reunião realizada, em 2014, pelo Conselho Universitário, quando foi aprovada a proposta agora criticada. O sindicalista ressaltou também que a USP vai continuar arcando com os salários dos funcionários do Centrinho, só que o pagamento deve ser endereçado à organização que assumir a gestão do HC. Segundo informações citadas na audiência, são 501 funcionários.