Economia & Negócios

Com bikes cada vez mais caras, cresce preocupação e setor de seguros dispara

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 3 min

Acompanhando a expansão do mercado impulsionado pelos apaixonados por ciclismo, os seguros de bicicletas também têm crescido nos últimos anos. Com a disparada nos valores das bikes, especialmente por causa dos efeitos da pandemia, aumentou também a preocupação com o patrimônio. Alguns equipamentos de alto nível podem chegar a R$ 120 mil, no entanto, bicicletas mais modestas, de cerca de R$ 1,8 mil, também já contam com cobertura. Hoje, além de furtos e roubos, os contratos cobrem até danos e panes elétricas.

Primo Alexandre Mangialardo, diretor de uma corretora de seguros há 30 anos no mercado, passou a dar atenção a essa categoria de serviços desde 2019. "No primeiro ano, fechamos três seguros de bicicletas. Agora, já temos quase uma centena de clientes", comemora o empresário.

Na última década, os preços das bikes têm crescido exponencialmente, relata Mangialardo. "Antes de tudo, a bicicleta é um objeto de desejo. E quanto melhor vai ficando a performance do ciclista, melhor vai ficando o equipamento. Sem contar que sempre está surgindo algo melhor e as pessoas vão comprando. Pensando nisso, as seguradoras passaram a investir cada vez mais em mobilidade".

As coberturas ainda se baseiam mais no valor do equipamento do que na utilização. Para modelos de saída, os seguros começam na faixa dos R$ 300,00 ao ano, mas podem atingir a marca dos R$ 6 mil anuais. "Os contratos cobrem roubo a mão armada e furto qualificado, mas também danos no transporte. Por exemplo, um veículo bate na traseira do seu carro e amassa a bicicleta no suporte. E tem a assistência também. Algumas bikes têm conjunto elétrico que pode dar uma pane", explica Mangialardo.

MAIS TRANQUILO

Há um ano, o comerciante João Aparecido Ramos aderiu à prática do pedal. Hoje, costuma fazer trilhas aos sábados, sempre com amigos. "Eu gostava de jogar bola, mas tive um problema no tornozelo. Então, o médico recomendou que eu pedalasse", conta ele, que investiu em uma bicicleta melhor depois de furtarem a antiga "magrela". "Tinha uma bike simples, usava só para trabalhar. Um dia, cheguei onde deixei estacionada e só tinha o cadeado no chão", lamenta.

Com a nova aquisição, veio também a necessidade de contratar um seguro, investimento de R$ 360,00 por ano. "Agora eu fico mais tranquilo", afirma.

EFEITO PANDEMIA

Em franca expansão há pelo menos uma década, o mercado das bikes vivenciou um aumento ainda maior durante a pandemia. Segundo De Verissimo, no ramo há mais de 20 anos, com as restrições impostas a academias e outros locais de uso coletivo, as pessoas buscaram alternativas para cuidar da saúde. "A galera começou a pedalar mais, precisava se exercitar. Pedalar é um ótimo exercício e você geralmente está em contato com a natureza", afirma.

Além do crescimento da demanda, o mercado também sofreu com o desabastecimento (leia mais abaixo), impactando nos valores. "Alguns modelos encareceram até 40% de 2019 para cá", afirma De, que ainda aponta as novidades como fator de impacto nos preços. "A tecnologia muda muito a cada ano. Algumas bicicletas usam soldas desenvolvidas pela Nasa e materiais aeroespaciais como kevlar, titânio e carbono", conclui.

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