Tribuna do Leitor

Esclarecimentos de uma funcionária do Centrinho para a população de Bauru

Gisele da Silva Dalben
| Tempo de leitura: 3 min

Venho respeitosamente expressar algumas opiniões sobre as matérias publicadas na página 5 da edição de ontem (26/03/2022) do Jornal da Cidade.

Logo de início, me causou bastante estranheza que o jornal tenha dedicado uma página inteira à matéria sobre nosso campus e, entretanto, tenha dedicado maior ênfase à manchete sobre a suposta "inviabilidade de manutenção do Centrinho vinculado à Universidade" do que à posse - merecida - da professora Marília Buzalaf como diretora da FOB, motivo que levou à presença do reitor em nossa cidade na referida data.

Também me causou estranheza que esta página não tenha sequer mencionado o protesto por melhores condições de ensino realizado na mesma data pelos alunos do curso de Medicina.
Entretanto, um trecho da matéria me causou incômodo de forma mais significativa. Citando: "...entidades representativas do funcionalismo da FOB/USP têm apontado que a aprovação desta mudança ocorreu sem o quórum qualificado necessário..."
Sou ex-aluna de graduação e pós graduação da FOB/USP (Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo), ex-aluna de pós graduação do HRAC/USP (Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo - nome oficial do Centrinho) e orgulhosa funcionária do Centrinho desde 2004. Residindo em Bauru desde os dois anos de idade e tendo transitado por muitos anos em ambas as instituições, estou bastante acostumada à confusão da população bauruense entre as duas instituições. Mas me causa extremo espanto que um veículo de comunicação do porte do Jornal da Cidade também confunda as duas instituições.
Convido a equipe do Jornal e a população a conhecer melhor a história do Centrinho, disponível no website https://hrac.usp.br/institucional/historia/. O Centrinho começou, sim, como um centro interdepartamental da FOB em 24 de junho de 1967, fundado por professores daquela instituição. Entretanto, em 25 de março de 1976, o governador Paulo Egydio Martins publicou o Decreto 7734/76 criando o então "Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio-Palatais" (HPRLLP, renomeado para o atual nome HRAC-USP em 1998), transformando o Centrinho em uma unidade hospitalar autônoma vinculada diretamente à Reitoria da USP.
Temos, sim, alguns vínculos científicos, acadêmicos e administrativos com a FOB.

Entretanto, apesar de pertencermos à mesma Universidade dentro do mesmo campus, somos instituições distintas, cada qual com seu organograma. Somos simplesmente "filhas dos mesmos pais morando na mesma casa". Mas, ao confundir FOB com HRAC, o Jornal da Cidade está confundindo instituições que são independentes há quase 46 anos.
Sendo assim, as manifestações têm sido realizadas pelo funcionalismo do HRAC/USP, e não da FOB/USP, uma vez que os funcionários da FOB não estão envolvidos neste impasse.
Aproveito a oportunidade para esclarecer que os funcionários do Centrinho não estão lutando por interesses pessoais - não é por salários, direitos ou plano de carreira, que de acordo com a própria Reitoria não serão afetados. A luta é pela qualidade do serviço oferecido à população. Temos contato com outros centros que tratam fissuras labiopalatinas e anomalias craniofaciais em outros estados - muitos administrados por OSs - e sabemos dos inúmeros problemas que enfrentam. Na semana passada, inclusive, testemunhamos o fechamento de um destes centros - Associação Beija Flor no Ceará - por falta de condições para funcionamento. Não queremos, jamais, que isto aconteça com nosso Centrinho porque temos plena consciência das necessidades da população que assistimos e da falta de recursos em outros locais para o tratamento complexo, multidisciplinar e especializado que estas anomalias requerem. Sabemos bem a diferença que fazemos na vida de nossos pacientes. Agradeço o espaço e concluo convidando o Jornal da Cidade a ouvir alguns de nossos representantes de funcionários para compreender melhor a situação.

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