Moscou - O governo da Rússia acusou nesta quarta-feira (18) a Ucrânia de "ausência total de vontade" para negociar o fim do conflito, iniciado com a invasão do território ucraniano em 24 de fevereiro.
"As negociações não avançam e constatamos uma ausência total de vontade por parte dos negociadores ucranianos para continuar o processo", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Na terça-feira (17), a agência Interfax citou o vice-ministro russo das Relações Exteriores Andrey Rudenko dizendo que a Rússia e a Ucrânia não estavam mantendo conversações "sob nenhuma forma", e que Kiev tinha "praticamente se retirado do processo de negociação".
Na semana passada, Peskov informou que um encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Volodimir Zelenski é "impossível" de acontecer no momento.
EXPULSÃO
Ainda ontem a Rússia anunciou a expulsão de 85 diplomatas franceses, espanhóis e italianos do país, em mais um sinal de agravamento do desgaste entre o Kremlin e as potências ocidentais.
Devem sair de Moscou 34 diplomatas da França, 27 da Espanha e 24 da Itália. No primeiro caso, de acordo com o embaixador francês, eles têm até duas semanas para deixar a Rússia. Já os espanhóis terão ainda menos tempo para arrumar as malas: foi estabelecido o prazo de sete dias para que voltem a Madri.
ITÁLIA REAGE
Não foram divulgados detalhes e prazos para a saída dos italianos, mas a Itália reagiu às expulsões desta quarta, com o primeiro-ministro Mario Draghi chamando a medida de "um ato hostil" e alertando que os canais diplomáticos com Moscou não devem ser interrompidos. Já a chancelaria francesa divulgou um comunicado condenando "firmemente" a decisão e afirmou que a medida não tem "fundamentos legítimos".
As três nações europeias alvos de Moscou, por outro lado, estão entre aquelas que já expulsaram mais de 300 russos desde o início da invasão.