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Moradora se desespera com conta de água que quase equivale ao seu salário

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

"Se eu pagar, não coloco comida em casa". A frase é de Juliana Cristina Domingues, 36 anos, moradora do Mary Dota, que recebeu uma conta de água de R$ 1,3 mil em junho. Desesperada com o valor, que quase equivale ao seu salário mensal, de R$ 1,7 mil, a promotora de vendas diz que já tentou, sem sucesso, reclamar no DAE. A autarquia informou ao JC que o montante é referente ao consumo do mês acrescido de um reparcelamento de débitos, mas pondera que o caso será analisado pelo serviço social.

Juliana conta que, antes de se mudar para a casa, na quadra 1 da rua Walter Petroni, um "gato" foi descoberto pelo DAE no local. Mesmo não sendo responsável pela ligação clandestina, ela diz que resolveu arcar com a multa e o prejuízo para restabelecimento do serviço, em razão de o imóvel ser de sua família.

Foi depois deste problema, registrado em 2012, que as contas de água com valores mais altos, próximas a R$ 400,00, passaram a ser enviadas, segundo a moradora. "Somos só eu e meus três filhos em casa. Não tem como a conta vir sempre tão alta. Antes, não pagávamos mais do que R$ 100,00 de água e, agora, R$ 1,3 mil?", questiona a consumidora, que diz ter reclamado sobre o possível descompasso junto ao DAE por diversas vezes nos últimos anos.

A promotora de vendas lembra que chegou a trocar peças, a exemplo do hidrômetro e do registro de água, seguindo orientação da autarquia como medida para que as contas baixassem, mas a ação não surtiu efeito. "Vazamento não deve ser, porque, quando fecho o registro, o hidrômetro para de rodar".

RENEGOCIAÇÕES

Diante dos altos valores, Juliana diz que efetuou duas negociações com o DAE por atrasos de pagamentos. No entanto, a conta atual não detalha essas possíveis parcelas, de acordo com a moradora.

A fatura especificaria apenas que o valor seria referente ao consumo de água em junho, calculado com base nos últimos três meses. "Mesmo que seja decorrente de algum parcelamento, como é que eu posso pagar algo que é quase meu salário todo?", questiona.

Ela cita que, antes de receber a conta de R$ 1,3 mil, chegou a ir até a autarquia na companhia do vereador Beto Móveis (Cidadania) para tentar negociar uma dívida em torno de R$ 10 mil. "Eles queriam R$ 3 mil de entrada no início, mas me deixaram dar R$ 500,00. Só que, depois, me falaram que as parcelas seriam de R$ 800,00. Então, deixei claro que não conseguiria pagar. Fui no Poupatempo e me orientaram a procurar a assistência social do DAE, mas a funcionária está de férias e ninguém mais além dela resolveria", relata a mulher.

OUTRO LADO

Segundo o DAE, todas as contas trazem a descrição dos serviços e valores detalhados. A autarquia aponta ainda que os R$ 1,3 mil são referentes a um reparcelamento feito em junho de 2022 de um parcelamento de 2019, "pré-acordado e assinado pela própria consumidora".

Quanto à impossibilidade de pagamento do valor alegada por Juliana, o DAE informa que o processo é analisado no serviço social e que a entrevista com a consumidora foi agendada para a próxima quarta (13).

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