Chamamos de termogênicos os alimentos e suplementos com substâncias que seriam capazes de acelerar nossas reações metabólicas, o que aumenta a temperatura do corpo e o gasto calórico basal. Por isso, eles são vendidos com a proposta de auxiliar na perda de peso queimando calorias sem que você precise se esforçar para isso. Chá verde, pimenta, gengibre, ômega 3 e suplementos à base de cafeína são alguns exemplos.
Só que as evidências científicas mostram que, apesar de realmente acelerarem o metabolismo, o gasto energético oferecido por esses itens não é significante para ajudar no processo de emagrecimento. Uma revisão de estudos publicada no International Journal of Obesity mostrou que o consumo de cafeína, capsaicina (substância presente na pimenta) e chás como o verde e o branco, aumentam o gasto energético em somente 4% a 5%.
Veja: um adulto de 80 quilos consome, em média 2 mil calorias diariamente. 5% desse valor representa apenas 100 calorias a mais, o que não é efetivo para perder nem um quilo na balança. Até existem pesquisas com evidências de que termogênicos funcionam. "Mas os trabalhos que revelam esses benefícios são feitos em células ou em animais, não em pessoas. Isso mostra que o mecanismo celular existe, só que não em um grau suficiente para induzir emagrecimento", raciocina Cintra.
Além de não trazer benefícios reais, essas substâncias ainda oferecem perigos quando consumidas em excesso. "Alguns suplementos termogênicos, principalmente os que levam cafeína na composição, acabam levando à morte por arritmia cardíaca quando a pessoa utiliza uma dose maior que a recomendada", alerta o endocrinologista.
Cintra cita um problema causado pelo óleo de coco, muito consumido em receitas. "Ele é um ativador importante do sistema imune. É como se você induzisse um processo pseudo-infeccioso no próprio organismo. É um tiro pela culatra. O efeito de gasto energético vai ser minimizado perante esse efeito colateral", relata.