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Caso Bulhões: deputada acompanha sindicância e quer alunos na Ouvidoria

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Em visita a Bauru nesta semana, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) informou ter oficiado a Unesp para requerer o acompanhamento da sindicância que apura as denúncias de assédio sexual contra o professor Marcelo Bulhões. A parlamentar diz que sua atitude visa que "o caso não caia no esquecimento".

A deputada esteve na universidade, onde, em roda de conversa com estudantes, afirmou que irá propor à instituição de ensino uma mudança na estrutura da Ouvidoria, com a participação também dos alunos, além da criação de uma rede de apoio voltada às vítimas de violência no câmpus.

"Nosso objetivo é que a sindicância não caia no esquecimento, como já ocorreu anteriormente, em 2018. Fizemos um requerimento de informações à diretoria, via Lei de Acesso à Informação e artigo da legislação da atividade parlamentar. Colocamos nosso mandato como vigilante e à disposição. A Unesp tem 30 dias para nos responder", comentou Bomfim, em entrevista no Espaço Café com Política, do JC. "Se necessário for, podemos ir ao Ministério Público e tomar medidas necessárias para que o caso não seja esquecido, porque essa é a preocupação das estudantes".

A deputada conta que soube da situação por um vídeo enviado por uma aluna, na data em que as denúncias repercutiram, no início deste mês (leia mais abaixo).

PARTICIPAÇÃO

Formada em Letras, Bomfim narra ter vivido situação parecida quando era universitária e diz que, na época, a instituição aceitou a sugestão de criar uma Ouvidoria compartilhada, com a participação de docentes e discentes, além de funcionários.

"Hoje, ninguém sabe o que acontece com os casos que chegam na Ouvidoria da Unesp e se eles são esquecidos. O que vimos é que as alunas se sentem coibidas de procurar ajuda", frisa. "Ouvi relatos de que o professor chegava na sala de aula e elas iam para o fundo, criando uma espécie de cordão com os meninos à frente. É assustador isso. O que quero entender é como chegou a esse ponto e nada foi feito", critica a deputada.

Sâmia Bomfim considera que a denúncia recente sobre o caso demorou para ocorrer ainda em razão de arquivamento anterior. "A violência é muito perversa. Quando você passa pela situação, você quer esquecer, não quer revivenciar e esbarra, muitas vezes, em violências institucionais. A vítima não sabe quem procurar e, muitas vezes, acaba sem encaminhamento. Isso é algo que desestimula. E a pandemia ajudou com que os casos mais antigos caíssem no esquecimento", pontua a parlamentar, que irá propor ainda a criação de uma rede de apoio multidisciplinar às vítimas de violência no câmpus.

"A Unesp tem curso Psicologia e condições de fazer parcerias com a Defensoria Pública e a OAB. Vamos ver o que é possível", completa.

MACHISMO ESTRUTURAL

A proposta de fortalecimento de ouvidorias, explica a deputada, vem ganhando força em outras instituições também.

"O machismo é estrutural e estimulado pela lógica do governo federal. O caso da Caixa virou símbolo disso. O então presidente da Caixa (Pedro Guimarães) já tinha um passado de assédio denunciado e, mesmo assim, recebeu o cargo mais alto no banco. É inegável que, hoje, os casos têm mais visibilidade e as mulheres denunciam mais, mas, para além disso, há aumento. Por isso, é preciso agir", finaliza a parlamentar, que, fora a Unesp, visitou duas agências da Caixa Econômica Federal em Bauru e terminou a agenda na cidade em um evento no Sindicato dos Bancários.

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