Tribuna do Leitor

Ao sr. Luís Paulo Domingues (JC - 10/7/22)

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil - Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru SP
| Tempo de leitura: 2 min

A natureza humana permeia todas nossas ações, sr. Luís, inclusive nossos textos que podem servir para esclarecer ou iludir. Na verdade, a crítica que faz é pra natureza humana e não pro capitalismo, e se reler meu texto, verá que não louvei maravilhas, mas comparei este sistema (numa democracia) com outros (socialismo e fascismo). E minha escolha foi porque aprecio a liberdade de decidirmos nossas vidas, ao invés de nos submeter a um estado "socialista ou fascista" que quer nos controlar. É possível também um empreendimento capitalista (uma padaria, por exemplo) fracassar em gerar benefícios à sociedade, por incompetência ou excesso de esperteza. Mas, numa democracia, a ideia estaria aberta a outros que podem ter sucesso. O senhor enaltece falhas humanas no capitalismo, mas não diz que isto também pode ocorrer em qualquer outro sistema. Como ocorreu após a extinção da URSS (1991), onde os "novos ricos" que surgiram foram justamente os antigos dirigentes das fábricas soviéticas, mostrando que eles já eram "poderosos e espertos" antes da extinção. A contradição é evidente, sr. Luís, pelo fato do socialismo ser um sistema que prega a igualdade.

No caso do Brasil, a origem do nosso atraso é antiga: falta de boas escolas para a grande maioria da população. E sabendo que os 50 Países mais equilibrados socialmente e economicamente do mundo são capitalistas e democráticos, precisaríamos que as boas escolas também mostrassem como estes Países evoluíram, e porque outros não fizeram o mesmo, o que melhoraria a percepção, do que dá certo e o que não dá. Isto bastaria para o povo passar a exigir uma mídia mais imparcial e políticos que parassem de mentir. Nosso capitalismo também evoluiria e as competições entre empresas resultariam em produtos melhores e preços menores. Certamente ainda não há um País perfeito, pois sempre existem humanos espertos ocupando cargos chaves.

Mas, nos que evoluíram para melhor, com certeza, sua justiça teve papel determinante em inibir os espertos. Pra concluir, Sr. Luís, tenho uma versão do livro "A Riqueza das Nações" de Adam Smith, onde o texto é bem maior do que um manualzinho, pois tem mais de 500 páginas e letras bem pequenas.

 

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