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MP e Polícia Civil apuram se há relação entre suicídio e morte de petista

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O Ministério Público e a Polícia Civil do Paraná investigam se há relação entre um suicídio e o assassinato do guarda municipal Marcelo Arruda, morto a tiros na noite de 9 de julho no aniversário de 50 anos comemorado com uma festa temática do PT em Foz do Iguaçu (PR).

Funcionário da Itaipu, Claudinei Coco Esquarcini, 44 anos, caiu, no domingo (17) de um viaduto em Medianeira, município a 50 km de Foz. A hipótese é suicídio. Mas a polícia também investe em outras linhas de investigação. Diretor da associação onde ocorreu a festa, ele é apontado como o encarregado pela instalação do sistema de câmeras de vigilância no local do crime.

O policial penal Jorge José da Rocha Guaranho teve acesso às imagens da festa quando estava em um churrasco com amigos, segundo a Polícia Civil. Integrantes da associação que participavam da confraternização mostraram as imagens a partir de seus celulares a Guaranho.

Em seguida, ele foi ao local para "provocar" os participantes do aniversário do petista, de acordo com as investigações. Questionado sobre o acesso às câmeras, José Augusto Fabri, vigilante da Itaipu, citou Claudinei como o encarregado pelo sistema de monitoramento, instalado no local para prevenir furtos.

"Tem que ter uma senha. Esse processo quem faz é o Claudinei. Como ele conhece de configuração, montagem, manutenção e ele faz parte da diretoria, então ele cuida dessa parte", disse o vigilante em depoimento à Polícia Civil.

Pedido de diligências complementares

Um requerimento assinado nesta segunda (18) em conjunto pelos representantes legais da família de Marcelo Arruda solicitou diligências complementares à 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu após o episódio.

Os advogados querem que o presidente da associação seja intimado para apresentar a lista completa dos associados ao Ministério Público. Eles também solicitam a busca e apreensão do celular de Claudinei "tendo em vista que os equipamentos celulares de [nomes das duas testemunhas que mostraram o vídeo da festa ao atirador] foram utilizados pelo criminoso para visualizar as câmeras", cita o pedido.

O requerimento solicita ainda a quebra dos sigilos telefônico e telemático para extração de áudios, vídeos e conteúdos em redes sociais. Os advogados querem saber quais associados poderiam ter acesso às câmeras de monitoramento do local da festa, e se as senhas foram disponibilizadas por Claudinei.

O pedido cita a relação de amizade entre o atirador e duas testemunhas, que teriam exibido as imagens da festa ao autor do crime. "Guaranho [e as duas testemunhas] são amigos, frequentam [as mesmas] festas e participam de dois grupos do WhatsApp", cita o pedido.

O advogado Daniel Godoy entende que as autoridades devem quebrar o sigilo telefônico do diretor da entidade para apurar como as imagens foram acessadas.

"O suicídio deve ser apurado, pois ele [Claudinei] era o responsável pelas câmeras e pelas senhas de acesso. É possível que ele tenha viabilizado o acesso às imagens", afirmou.

Abalado após o crime, dizem amigos

Pessoas próximas a Claudinei ouvidas pela reportagem, sob a condição de anonimato, dizem que ele ficou abalado emocionalmente após o crime. Agora, o Ministério Público e a Polícia Civil do Paraná querem saber se há relação entre o suicídio e o assassinato do petista.

A Itaipu Binacional, onde Claudinei trabalhava, emitiu nota de pesar pelo seu falecimento. "Claudinei trabalhou na Itaipu por 20 anos, sempre como agente de segurança da Divisão de Segurança da Central. A Itaipu está prestando toda a assistência necessária à família, a quem expressa suas condolências". Claudinei deixa esposa e três filhos.

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