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Negacionismo eleitoral

Caio Coube
| Tempo de leitura: 1 min

Em reunião com embaixadores de setenta países, Bolsonaro, pela enésima vez, atacou o sistema eleitoral brasileiro. O fato causou espanto junto à comunidade internacional pelo seu "ineditismo". Afinal de contas, não é comum um presidente reunir representantes de países estrangeiros para difamar instituições do seu próprio país.

Os argumentos utilizados por Bolsonaro para sustentar a sua tese estão sendo duramente contestados e a repercussão negativa da reunião tem sido enorme. Em nota, o governo americano afirmou: "As eleições brasileiras servem de modelo para todas as nações do Hemisfério e do mundo."

No Brasil, importantes entidades se manifestaram. Delegados da Polícia Federal afirmaram que "desde 1988 as eleições ocorrem sem qualquer incidente que lance dúvidas sobre a sua transparência". Peritos criminais federais afirmaram que "as urnas eletrônicas já foram objeto de diversas perícias por parte da PF e que nenhum indício de ilicitude foi comprovada".

Além das contestações, a atitude de Bolsonaro na referida reunião gerou também questionamentos. Procuradores de direitos do cidadão de vinte e seis estados enviaram documentos ao PGR afirmando que "a conduta do presidente da República avilta a liberdade democrática com claro propósito de desacreditar e desestabilizar o processo e as instituições eleitorais" e pedem a abertura de investigação de ilícitos eleitorais cometidos por Bolsonaro.

Estas manifestações comprovam uma reação vigorosa de amplos setores da sociedade que não se deixam influenciar pela insistente campanha difamatória de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas.

Este episódio da reunião, deixa evidente que, à medida que a eleição se aproxima, Bolsonaro está decidido a desrespeitar todos os limites para conquistar a vitória.

Caso o resultado das urnas não lhe seja favorável, Bolsonaro, a exemplo do que Trump fez nos Estados Unidos, tem a justificativa pronta: apelar para o negacionismo, desta vez eleitoral.

O autor é empresário, colabora com Opinião.

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