Pequim - Enquanto a comunidade internacional assiste a uma nova fase da guerra da Rússia contra a Ucrânia, a Guerra Fria 2.0 entre Estados Unidos e China voltou a ter um pico de tensão que obrigou os líderes Joe Biden e Xi Jinping a fazerem sua quinta conversa desde que convivem como chefes de Estado.
O motivo desta vez foi Taiwan, devido à possibilidade de a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, visitar a ilha que a China considera sua. Xi repetiu as palavras usadas numa cúpula virtual em novembro, dizendo que os americanos poderiam se queimar se brincassem com fogo apoiando sentimentos de independência taiwaneses.
A deputada democrata pretende visitar a ilha que a China considera uma província rebelde em agosto. Pode ser a visita da mais alta autoridade americana desde que o republicano Newt Gingrich, que ocupava o mesmo cargo de Pelosi, foi a Taipé em 1997.
O Ministério das Relações Exteriores chinês disse que tal viagem da número 2 da linha sucessória americana equivale a uma violação de soberania. "Quem brinca com fogo só se queima, espero que o lado americano veja isso claramente", disse Xi a Biden, segundo a mídia chinesa.
Não houve relato sobre o que Biden respondeu. Até aqui, nessas conversas, ele mantém o respeito formal à ideia de "uma só China" que norteia as relações diplomáticas entre os países, mas também o apoio militar a Taiwan. No Congresso americano, trabalha-se com a hipótese de que a viagem ocorrerá, segundo a imprensa americana.
O próprio Biden reconheceu na semana passada que a viagem era "uma má ideia".